Após cinco jogos consecutivos sem vencer, o Sporting voltou a 'degustar' o sabor da vitória, esta quinta-feira, frente ao Gil Vicente (0-1), em Barcelos, carimbando o acesso às 'meias' da Taça de Portugal, num jogo em que Zeno Debast... disse 'basta'.
Se o clube de Alvalade não foi para o intervalo em desvantagem, muito pode agradecer a duas cruciais defesas de Rui Silva (algo que o treinador Rui Borges admitiu logo após o final do encontro), numa primeira parte algo apática que 'forçou' os leões a fazer o inverso dos últimos tempos: protagonizar um segundo tempo bem melhor do que o primeiro.
De cara lavada, e com Viktor Gyokeres lançado ao intervalo, o Sporting cresceu a olhos vistos na segunda metade e coube a Zeno Debast a responsabilidade de decidir a eliminatória, com um remate do meio da rua (68'), que beneficiou ainda de um desvio em Santiago Castillo.
Pouco depois, Zé Carlos recebeu ordem de expulsão por acumulação de amarelos (73') e, num cenário de inferioridade numérica, os galos de Barcelos ainda viram os leões de Alvalade a ameaçar o segundo. No entanto, o público minhoto até chegou a festejar um golo de Rúben Fernandes (88'), que acabaria por ser anulado pelo VAR devido a um fora de jogo de três centímetros.
No caminho até ao Jamor, o Sporting terá agora pela frente o Rio Ave, numa eliminatória disputada a duas mãos (a primeira em Lisboa e a segunda em Vila do Conde), enquanto Benfica e Tirsense estarão na outra meia-final.
Vamos então às notas da partida
Figura
Zeno Debast tornou-se herói fora da sua posição, embora já não seja propriamente uma novidade alinhar como médio, dada a (necessária) adaptação para contrariar a crescente 'onda' de lesionados, sobretudo naquele setor. Ganhou grande parte dos duelos, acertou em praticamente todos os passes e ainda 'pontapeou' a crise do Sporting, com um remate do meio da rua (68') a fazer a diferença.
Surpresa
Independentemente das trocas de treinadores, Brian Araújo fixou-se como o guarda-redes suplente de Andrew Ventura e tem sido sempre utilizado em todos os jogos da Taça de Portugal. A falta de ritmo competitivo não o impediu de estar à altura das oportunidades criadas pelos leões, tendo apenas sido 'traído' no golo que sofreu - o primeiro ao quarto jogo da época.
Desilusão
Zé Carlos é um dos defesas do Gil Vicente com mais minutos em toda a temporada, mas 'pecou' ao 'derrubar' Maxi Araújo, aos 73 minutos, altura em que viu o segundo amarelo e consequente vermelho. Antes disso, o lateral-direito perdeu grande parte dos duelos no seu corredor, ainda que se tenha destacado pela eficiência do passe.
Treinadores
José Pedro Pinto procedeu a uma mão cheia de alterações e colocou a sua equipa a jogar olhos nos olhos frente ao Sporting, ao ponto de acabar a primeira parte claramente por cima. A ineficácia permitiu que o adversário crescesse no encontro, sendo que as mexidas não surtiram os efeitos desejados, embora o espírito de luta se tenha mantido até ao apito final.
Rui Borges voltou a mexer nos setores defensivo e ofensivo, mas foi neste último que esteve o motivo da fraca primeira parte em Barcelos. Bastou a troca entre Conrad Harder e Viktor Gyokeres, para além do discurso no balneário, para a mudança de chip, possibilitando até mais uma estreia absoluta na equipa principal - no caso a de Kauã Oliveira.
Árbitro
Cláudio Pereira não teve uma noite propriamente fácil, mas parece ter decidido maioritariamente bem. O árbitro de 38 anos acertou ao reverter a grande penalidade inicialmente assinalada a favor do Sporting, após ter interpretado um braço de Castillo na bola dentro da grande área, tendo depois aguardado pacientemente pela invalidação do golo do Gil Vicente, por fora de jogo de... três centímetros.
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