"O que sabemos por parte do Novo Banco e da Lone Star, e essa informação é pública, [...] é que a Lone Star pretende fazer [...] uma Oferta Pública de Venda sobre cerca de 25% a 30% do capital", indicou Joaquim Miranda Sarmento, à margem do evento Leader's Agenda, organizado pelo ISEG, em Lisboa.
O ministro salientou que o Governo nunca teve "informação de que a Lone Star esteja vendedora da totalidade dos 75% que detém no banco".
O Estado detém direta e indiretamente 25% do capital do Novo Banco. O Fundo de Resolução detém 13,54% e o Estado 11,46% (através da Direção-Geral do Tesouro e Finanças).
Questionado sobre uma notícia do Jornal Económico de que Governo está interessado em que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) avance com a compra do Novo Banco, o ministro reiterou que o executivo "respeita a autonomia de gestão da Caixa Geral de Depósitos".
"A Caixa Geral de Depósitos fará a avaliação que entender daquilo que é as condições de mercado e daquilo que possam ser desenvolvimentos futuros do mercado", afirmou, sendo que "se a Caixa entender fazer essa avaliação, face a situações que possam vir a ocorrer no futuro, o Governo depois tomará decisões com base nessa avaliação".
Reafirmou ainda assim que o Governo não se imiscui "naquilo que é a gestão da Caixa Geral de Depósitos e naquilo que possam ser decisões da Caixa de avaliação de condições de mercado relativamente a concorrentes".
Em meados de janeiro, no parlamento, o presidente executivo da CGD foi questionado pelos deputados sobre o Novo Banco, tendo Paulo Macedo dito que nunca revelaria publicamente qualquer informação sobre uma eventual aquisição pois os concorrentes deliciam-se com informações confidenciais tornadas públicas.
Desde que é questionado sobre o Novo Banco, Macedo não indica claramente se a CGD estará a avaliar a compra mas nunca descarta aquisições pois, justifica, a dimensão e os lucros da CGD tornam-na hoje um operador ativo no mercado.
"Hoje a Caixa não é uma Caixinha, tem rentabilidade, tem autonomia. É por a Caixa estar hoje como está que hoje não aconteceria um banco estrangeiro comprar Banif e Banco Popular por um euro", disse Macedo no parlamento já em 2023, numa mensagem que desde então tem reiterado.
O Jornal Económico noticia hoje que CGD, CaixaBank (dono do BPI) e BCP destacaram equipas internas para estudarem a compra do Novobanco.
Na quinta-feira, em conferências de imprensa, o BPI afirmou que qualquer movimento para comprar o Novo Banco será sempre decidido pelo acionista, enquanto o CaixaBank (seu acionista) disse que está focado no crescimento orgânico em Portugal, sem aquisições.
O Novo Banco foi criado em 2014 para ficar com parte da atividade bancária do Banco Espírito Santo (BES), na resolução deste. Em 2017, 75% do banco foi vendido ao fundo de investimento norte-americano.
O objetivo da Lone Star é, para já, vender parte do capital do Novo Banco, estando a preparar uma dispersão em bolsa (através de uma OPV ou IPO - Initial Public Offering na expressão em inglês habitualmente usada). Contratou o Deutsche Bank como consultor para assessorar negociações com potenciais compradores.
No final de 2024, a Lone Star e o Estado acordaram o fim antecipado do acordo de capitalização contingente, com as partes a desistirem de litígios judiciais. O fim deste mecanismo (pelo qual o Fundo de Resolução injetou mais de 3.000 milhões de euros no Novo Banco) facilita a venda do banco e permite aos acionistas receberem dividendos.
É estimado que o Novo Banco possa vir a distribuir até 1.300 milhões de euros em dividendos, o que daria ao Estado mais de 300 milhões de euros.
Esta semana, o Jornal de Negócios noticiou que a Lone Star está a avaliar o Novo Banco em 5.000 milhões de euros, sendo este o valor a usar nas conversas com investidores.
Em junho de 2024, o Fundo de Resolução decidiu comprar ao Estado mais 4,14% do Novo Banco por 128 milhões de euros (passando a deter então os 13,54% do capital). Tendo em conta essa aquisição, o Fundo de Resolução avaliava então o banco em mais de 3.000 milhões de euros.
[Notícia atualizada às 12h53]
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