A ex-primeira ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, falou, este domingo, pela primeira vez depois da sua detenção - e libertação - no âmbito de uma investigação sobre as finanças do seu partido político, o Partido Nacionalista Escocês (Scottish National Party, SNP, na sigla em inglês).
"O que eu vou dizer reitera o comunicado emitido no último domingo, [no qual disse] que tenho a certeza de que não fiz nada errado", explicou a ex-governante aos jornalistas, acrescentando que "não pode dizer muito agora", dada a investigação.
"Planeio regressar ao parlamento [escocês] no início da semana. Estarei disponível para questão e aí, estarei à disposição para responder a questões - obviamente, dentro das restrições a que me refiro", notou.
Sturgeon referiu que por agora pretende apenas regressar a casa e estar com a sua família. Questionada por uma jornalistas sobre se, perante os pedidos e críticas, Sturgeon pensava em afastar-se do partido, a mesma reforçou que não tinha feito nada de errado.
Sturgeon confirmou ainda que a sua libertação foi feita sem qualquer imposição por parte das autoridades, que estão agora a levar a cabo uma investigação mais profunda.
No âmbito desta investigação, a polícia escocesa declarou num comunicado, a 11 de junho, que uma mulher, de 52 anos, detida de manhã, esteve sob custódia entre as 10h09 e as 17h24 locais (mesma hora em Lisboa). A polícia do Reino Unido não identifica os suspeitos até que sejam acusados.
A informação de que se tratava de Sturgeon foi feita pela BBC e outros meios de comunicação social britânicos.
O que está em causa nesta investigação?
As autoridades estão a tentar esclarecer o destino de 600 mil libras (700 mil euros) que o SNP angariou para financiar um novo referendo à independência, um caso pelo qual o marido de Sturgeon, Peter Murrell, também foi detido e libertado em abril.
Nicola Sturgeon chefiou o governo escocês e liderou o SNP entre 2014 e fevereiro de 2023, altura em que anunciou surpreendentemente a sua demissão de ambos os cargos, dando lugar a uma mudança no partido, cuja direção foi assumida por Humza Yousaf no final de março.
Semanas após a sua demissão, o marido Peter Murrell, diretor executivo do SNP durante quase 20 anos, e o antigo tesoureiro Colin Beattie, que se demitiu após a sua libertação, foram detidos.
O presidente do Partido Conservador na Escócia, Craig Hoy, apelou à suspensão de Sturgeon como deputada na sequência da sua detenção, um apelo a que também se juntou o deputado nacionalista do SNP em Westminster, Angus MacNeil.
Sturgeon foi libertada sem acusação após mais de sete horas de interrogatório, embora o caso, aberto desde 2021, permaneça "pendente de novas investigações", segundo a polícia, que irá agora enviar um relatório ao Ministério Público.
Primeira mulher a liderar o governo da Escócia, Sturgeon conduziu o seu partido ao domínio da política escocesa e transformou o SNP numa força governamental dominante com posições sociais liberais.
Liderou o seu partido durante três eleições a nível do Reino Unido e duas eleições escocesas, e conduziu a Escócia durante a pandemia do novo coronavírus, ganhando elogios pelo seu estilo de comunicação claro e comedido.
Mas Sturgeon deixou o cargo no meio de divisões no SNP e com o seu principal objetivo - a independência do Reino Unido para a nação de 5,5 milhões de pessoas - por cumprir.
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