Durante uma conferência de imprensa conjunta na Casa Branca com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, Trump foi questionado sobre este artigo que é a pedra basilar da Aliança Atlântica, respondendo que o "apoia".
"Não creio que tenhamos qualquer razão para recorrer a isso", ressalvou.
Starmer encontrou-se com Donald Trump três dias depois do Presidente francês e tal como Emmanuel Macron discutiu com o Presidente norte-americano uma solução para o conflito na Ucrânia, depois de Washington ter iniciado discussões diretas com a Rússia sobre o tema sem consultar os aliados da NATO ou Kiev.
Os gastos de defesa dos aliados da NATO, que os Estados Unidos querem ver aumentados, estiveram também em foco nas discussões.
No espaço de duas semanas, Trump alterou completamente a posição dos Estados Unidos relativamente à guerra entre a Rússia e a Ucrânia, chegando mesmo a descrever Volodymyr Zelensky como um "ditador", termo que se tem recusado a empregar em relação a Vladimir Putin, que está no poder em Moscovo há mais de um quarto de século.
Confrontando hoje com o insulto a Zelensky, eleito democraticamente e que não convocou novas eleições presidenciais por o país estar em estado marcial desde a invasão russa há três anos, Trump disse numa primeira instância não se recordar de o usar o termo "ditador".
"Eu disse isso? Não acredito que disse isso. Próxima pergunta", respondeu o chefe de Estado no Salão Oval da Casa Branca, na véspera de receber Zelensky.
Na conferência imprensa final ao lado de Starmer, disse mesmo que tinha "muito respeito" por Zelensky, com quem deverá reunir-se na Casa Branca na sexta-feira para assinar um acordo sobre os minerais ucranianos.
"Temos muito respeito. Tenho muito respeito por ele. Demos-lhe muito equipamento e muito dinheiro, mas eles lutaram com muita bravura", disse Donald Trump, que na semana passada publicou nas redes sociais que o Presidente ucraniano era um ditador, aconselhando-o a aceitar rapidamente um acordo de paz com a Rússia, sob pena de "ficar sem país".
Hoje, Trump disse que iria ter uma "reunião muito boa" na sexta-feira com o líder ucraniano.
Nos últimos dias, houve discussões tensas entre representantes de Washington e Kiev sobre um acordo relativo à exploração de minerais ucranianos pelos Estados Unidos.
Trump afirmou também hoje que a Ucrânia pode "esquecer" a adesão à NATO e que cabe aos europeus - e não aos norte-americanos - dar garantias de segurança a Kiev, no âmbito de um plano para resolver o conflito.
As negociações para acabar com a guerra na Ucrânia, adiantou, estão "muito avançadas" e Vladimir Putin não pressionará para reiniciar a guerra se uma trégua for alcançada.
O primeiro encontro entre delegações dos Estados Unidos e da Rússia ocorreu em 18 de fevereiro na Arábia Saudita, com o intuito levar a uma reunião presencial entre Trump e Putin.
No entanto, nem Kiev, nem os países europeus participaram no encontro, o que causou agitação na Europa.
Foram muitas as críticas de Trump à União Europeia (UE) durante a visita a Washington de Starmer, com quem o Presidente norte-americano adotou um tom mais conciliador.
No dia seguinte a ter anunciando tarifas alfandegárias de 25% aos países da UE "em breve", Trump disse hoje que os Estados Unidos e o Reino Unido iriam chegar a um "acordo comercial muito bom" com o Reino Unido.
"Vamos conseguir um acordo comercial muito bom para ambos os nossos países, e estamos a trabalhar nisso neste preciso momento", disse Trump.
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