"Porque havíamos de ser penalizados? Por fazer bem ao povo?", interrogou-se Jerónimo de Sousa, numa entrevista à agência Lusa, a propósito das legislativas, quando questionado se receia uma penalização nas urnas, tanto pelo apoio parlamentar a um Governo do PS desde 2015 como por um efeito de voto útil à esquerda.
Olhando para os últimos anos, o líder comunista faz um balanço positivo da experiência da "nova fase política da vida nacional", como o partido lhe chama, pelos "avanços, passos dados adiante, conquistas no plano dos direitos", como a gratuitidade dos manuais escolares, que "alguns consideravam até impensável", o apoio aos trabalhadores em 'lay off', que "corriam o risco de perder um terço do seu salário".
"Podem fazer juízos de valor que quiserem. Agora, significou muito para a vida dos portugueses devido à intervenção e à proposta do PCP. O que leva a uma conclusão óbvia: agora é necessário reforçar a CDU para conseguir novos avanços", disse, repetindo por mais duas vezes nesta entrevista a defesa do reforço da Coligação Democrática Unitária, que integra PCP e Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV).
Já sobre um eventual "preço" eleitoral da participação dos comunistas na "geringonça", que resultou do acordo à esquerda entre PS, PCP, BE e PEV, de 2015 a 2019, Jerónimo afirma-se de "consciência tranquila" e afirma não recear penalizações.
"Antes pelo contrário é indesmentível e incontornável o papel que o PCP teve", começou por afirmar, deixando de seguida uma série de perguntas retóricas: "Como é que pode ser penalizado quem lutou por aumentos extraordinários nas reformas e nas pensões? Como é que se pode ser penalizado por lutar por um salário mínimo mais justo? Pode ser penalizada a força que levou que a direita sofresse uma derrota pesada nas eleições de 2015?"
Perante um cenário de voto útil à esquerda, no PS, Jerónimo de Sousa admitiu-o, mas insistiu na "consciência tranquila" e na confiança num bom resultado nas eleições de 30 de janeiro.
Se os partidos da CDU forem penalizados por "fazer bem ao povo", então "alguma coisa está errada e não é o PCP, antes pelo contrário", tendo em conta o conjunto de propostas que os comunistas reclamam como suas no período da "geringonça", um conjunto de direitos que continuam a vigorar e com os quais a direita "nunca se vai conformar".
A hora de ir às urnas é, também, "a hora de prestar contas aos eleitores", que são os reformados, os profissionais de saúde, professores, dos "micro, pequenos e médios empresários" que beneficiaram das medidas aprovadas nos últimos anos.
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