PCP diz que Governo não tem condições: "Foco de descredibilização"

O secretário-geral do PCP defendeu hoje que o Governo "não está em condições de resolver os problemas" da população e tornou-se num "foco de descredibilização da vida política", recusando que explicações do primeiro-ministro possam resolver a situação.

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© Rita Franca/NurPhoto via Getty Images

Lusa
28/02/2025 13:49 ‧ há 4 horas por Lusa

Política

PCP

Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, Paulo Raimundo considerou que a notícia hoje divulgada pelo Expresso, segundo a qual o grupo de casinos e hotéis Solverde, em Espinho, paga à empresa detida pela mulher e os filhos do primeiro-ministro, Spinumviva, uma avença mensal de 4500 euros desde julho de 2021 por "serviços especializados de 'compliance' e definição de procedimentos no domínio da proteção de dados pessoais", confirma o que o PCP tinha dito há um ano, quando apresentou uma moção de rejeição ao programa do Governo.

 

"É um Governo ao serviço dos grupos económicos, que incentiva a promiscuidade entre os grupos económicos e os interesses do Estado, um Governo que promove um verdadeiro conflito de interesses", acusou.

O secretário-geral do PCP afirmou que isso está a ser "comprovado todos os dias" e faz com que o Governo não esteja "em condições de resolver e de responder aos problemas" da população portuguesa.

"E hoje, para além de não responder aos problemas é, em si mesmo, um foco de descredibilização da vida política nacional e terá de tirar as conclusões sobre essa matéria", afirmou.

Questionado se espera que o primeiro-ministro dê explicações após o Conselho de Ministros que convocou para este sábado, Paulo Raimundo considerou que "não há explicação nenhuma que valha perante aquilo que se conhece".

"Não há explicação nenhuma. Nós estamos perante um acontecimento, uma prática que aquilo que demonstra é o que nós temos dito há um ano a esta parte: profunda promiscuidade, uma política e uma opção ao serviço dos grupos económicos", referiu.

Além da questão do grupo Solverde, Paulo Raimundo disse que essa política a favor dos grupos económicos tem "expressões várias", elencando os casos das parcerias público-privadas (PPP) rodoviárias que vão ser agora discutidas, o prolongamento da concessão à Fertagus ou as PPP na saúde.

"Este é mais um caso, e quero-vos dizer, com toda a sinceridade, que não vejo, até diria que vai ser preciso um ato de grande criatividade para que o senhor primeiro-ministro consiga explicar uma coisa que não tem explicação", referiu.

Interrogado se espera assim que o primeiro-ministro apresente a sua demissão este sábado, o secretário-geral do PCP disse que, das declarações que Luís Montenegro fez esta manhã, depreendeu que "vai refletir em função destes acontecimentos todos e tomará as decisões em funções dessa reflexão".

"Caberá ao senhor primeiro-ministro essa reflexão, mas diria que o volume de problemas, o volume de consequências das suas opções políticas e aquilo que vai acontecendo, torna muito difícil que este Governo continue com esta política que não responde aos problemas das pessoas", disse.

Interrogado se acha que uma moção de confiança poderia ajudar a resolver a situação, Paulo Raimundo reiterou que, pelas opções políticas que faz, o Governo "não está em condições de resolver os problemas".

"Uma moção de confiança poderia servir para aqueles que acham que este Governo tem alguma possibilidade de continuar a governar como está a governar. Não é o caso do PCP, como sabem", disse, defendendo que é preciso o país encontrar "uma "solução diferente".

"Um Governo e uma política completamente diferente, que se liberte, de uma vez por todas, destas coisas", referiu, prometendo que o PCP vai continuar a intervir "no sentido de uma política que responde aos problemas de quem cá vive e trabalha".

Leia Também: "Portugueses têm de ter confiança no seu PM. Neste momento, não existe"

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