O Partido Socialista (PS) inicia esta quarta-feira as sessões setoriais para atualizar o programa eleitoral e, para hoje, estão planeados discutir os temas da saúde e da habitação. Neste último, o secretário-geral, Pedro Nuno Santos, apontou que houve uma grande falha já em democracia.
"Ainda temos uma situação de indignidade habitacional. São muitas as famílias que vivem em situações de problemas graves de salubridade, segurança, saúde, sobrelotação e que têm de ser atacados. Este problema tem de ser resolvido, mas temos outros problemas para lá da dignidade em que vivem muitas famílias no acesso à habitação", disse, em Lisboa, exemplificando com o acesso à habitação e as suas dificuldades, que são uma barreira na "emancipação da juventude portuguesa".
"Com problemas a vários níveis, desde logo o impacto que isso tem na possibilidade de se constituir família e, nomeadamente, ter filhos, com o impacto que isso tem ao nível da nossa sociedade", detalhou. O socialista falou ainda de um problema 'contrário', ou seja, das dificuldades que cada um dos membros de um casal que se separa tem para "poderem ter a sua própria casa."
O socialista destacou as dificuldades de Portugal atrair trabalhadores qualificados porque o preço da habitação "não é compatível com os salários que as nossas empresas conseguem pagar", a contratação no serviço público - como professores - ou ainda a deslocação de jovens para estudarem foram da sua terra natal. "Soma a isto, a pressão dos grandes centros urbanos que facilita também o discurso xenófobo por parte de algumas forças populistas em Portugal", apontou.
Apontando que os governos socialistas anteriores iniciaram o maior programa de habitação de construção pública nas últimas décadas, referiu: "Está em curso, [e é] infelizmente, insuficiente e demasiado lento. Mas esse processo começou. Tivesse começado há mais tempo, estaríamos numa situação menos grave do que a aquela em que estamos hoje", afirmou.
Falando da habitação pública e parque habitacional, apontou: "A seguir ao 25 de Abril nós não encarámos a habitação como encaramos a escola, a saúde, o sistema de pensões. E estamos a pagar caro as consequências".
Pedro Nuno Santos referiu que não há dúvidas de que são precisas "mais casas no mercado" e que se chega aí com regulação e também com a mobilização "dos inúmeros fogos de devolutos que temos no país, nas grandes cidades", algo que não será "tarefa fácil".
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