Roman Souchtchenko, 49 anos, que nega qualquer culpabilidade, declarou perante a sala de audiência do tribunal de Moscovo que vai recorrer da sentença, que definiu como "injusta".
Esta decisão surge no momento em que o jornalista russo-ucraniano Kyrylo Vychynski, preso em maio em Kiev, se prepara para comparecer em julgamento na Ucrânia por "alta traição".
Em paralelo, o realizador ucraniano Oleg Sentsov, detido na Rússia por "terrorismo", também decretou uma greve de fome para exigir a libertação de todos os "prisioneiros políticos" ucranianos sob detenção no país vizinho.
"Trata-se de um caso politicamente motivado. Exigimos a sua libertação", reagiu na rede social Twitter a porta-voz da diplomacia ucraniana Mariana Betsa, numa referência à condenação de Souchtchenko.
Marki Feiguine, o advogado de Souchtchenko, também classificou o processo como "político" e reconheceu que a única hipótese para o seu cliente será ser trocado pelo jornalista Kyrylo Vychynski, detido na Ucrânia.
"Apenas espero uma troca contra Vychynski. A Ucrânia pretende a troca", declarou.
O procurador pediu 14 anos de prisão contra Souchtchenko, jornalista da agência ucraniana Ukrinform e acusado por Moscovo de ser um coronel dos serviços de informações ucranianos.
Souchtchenko foi acusado de "reunir informações confidenciais sobre atividades das Forças armadas e da Guarda nacional russa", segundo elementos divulgados pelos serviços de segurança russos (FSB) após a sua detenção em 2016.
Por seu lado, a Ucrânia afirma que Souchtchenko é jornalista e correspondente em Paris da agência noticiosa Ukrinform, para quem trabalha desde 2002, e terá sido detido durante as suas férias em Moscovo.
"Souchtchenko é um jornalista e reunia informações unicamente no âmbito da sua profissão", garantiu o advogado Mark Feiguine, que acrescentou: "A condenação de um jornalista por espionagem é uma má tradição".
O Presidente ucraniano Petro Poroshenko também reagiu para denunciar na rede social Facebook "um cinismo sem precedente" da justiça russa que "prova que o regime do Kremlin não se deterá perante nada para quebrar o espírito ucraniano".
As tensões entre Moscovo e Kiev, na sequência da anexação da Crimeia em março de 2014 e o início do conflito no leste da Ucrânia, implicaram desde então um aumento das prisões de ucranianos na Rússia e de russos na Ucrânia, acusados de espionagem.
Em 2016 ocorreu uma troca de prisioneiros entre Moscovo e Kiev que envolveu dois presumíveis militares russos e a antiga piloto ucraniana Nadia Savtchenko, considerada uma heroína por Kiev, mas entretanto acusada de ter preparado um ataque contra o parlamento do seu país.