Macron destaca dívida da nação com Polinésia por testes nucleares
O presidente francês declarou, na terça-feira em Papeete (hoje de manhã em Paris), que a França tinha "uma dívida" com a Polinésia francesa pelos testes nucleares realizados de 1966 a 1996 no Pacífico.
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Mundo França
"Presumo e quero verdade e transparência convosco", disse Emmanuel Macron, num discurso aos funcionários polinésios, no qual afirmou que as vítimas destes testes deviam ser melhor compensadas.
"A nação tem uma dívida para com a Polinésia Francesa. Esta dívida é o facto de ter acolhido estes testes, em particular os realizados entre 1966 e 1974, que não se pode dizer que tenham sido limpos", declarou, no último dia da visita ao arquipélago.
Macron não mencionou a palavra "perdão", que foi exigida pelas associações de vítimas destes testes.
Após 17 ensaios nucleares no Saara, a França transferiu as experiências para a Polinésia Francesa em 1966, nos atóis de Moruroa e Fangataufa, onde realizou 193 novos ensaios ao longo de 30 anos, primeiro atmosféricos, depois subterrâneos.
O último decorreu em 27 de janeiro de 1996, depois de o antigo Presidente francês Jacques Chirac ter decidido retomar os testes, apesar da moratória decidida três anos antes pelo predecessor François Mitterrand.
"Quero dizer-vos claramente que os soldados que o fizeram não vos mentiram. Correram os mesmos riscos (...) Não houve mentira, houve riscos que não foram medidos, inclusive pelos militares", disse Emmanuel Macron.
"Penso que é verdade que não teríamos feito estes mesmos testes em Creuse ou na Bretanha", destacou.
Sobre a compensação, Macron salientou que, quando foi eleito em 2017, "11 ficheiros tinham sido finalizados" e que "desde então, 187 ficheiros" foram finalizados.
"Este é um progresso significativo, mas insuficiente", disse, anunciando que "os prazos para a apresentação de documentação serão alargados" para aqueles com direito a compensação.
No discurso, que começou com algumas palavras em polinésio, o chefe de Estado francês elogiou o "pacto único e íntimo entre a República e a Polinésia Francesa" apesar das "horas escuras".
Na frente económica, Emmanuel Macron anunciou um empréstimo de 300 milhões de euros para apoiar investimentos, nomeadamente para desenvolver a companhia aérea Air Tahiti Nui, bem como novas medidas de isenção fiscal.
Depois de visitar o hospital de Papeete, à chegada no sábado, o Presidente francês instou novamente os polinésios a vacinarem-se contra a covid-19, "a única maneira de sair da crise", sublinhando que das 230 mil doses enviadas para o arquipélago, 110 mil ainda estavam disponíveis.
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