Em comunicado, a agência das Nações Unidas afirma que são estudantes da Escola de Liderança do Afeganistão (SOLA), uma escola feminina originalmente situada em Kabul.
Depois da decisão do governo talibã de excluir as mulheres da frequência universitária, a escola foi realocada para o Ruanda.
"A dedicação e força das mulheres e raparigas afegãs perante tanta adversidade inspira-nos todos os dias", afirmou o diretor-geral da OIM, António Vitorino.
"Esta iniciativa enche-me de esperança e determinação para continuar a nossa defesa ao lado das mulheres e raparigas do país, por um Afeganistão que reconheça, promova e se baseie nas contribuições das suas mulheres, e invista nas suas raparigas", acrescentou.
A iniciativa resulta de uma parceria entre a OIM e a SOLA para garantir o transporte seguro e o realojamento das jovens no Ruanda.
A fundadora da SOLA, Shabana Basij-Rasikh, afirmou esperar que as estudante sejam parte de "uma geração de líderes que um dia vai reconstruir o Afeganistão".
O governo talibã anunciou, no dia 01 de março, o início de um novo ciclo escolar para as instituições de ensino superior sem a presença de mulheres, depois de ter decidido, em dezembro passado, excluí-las da frequência universitária.
A queda de Cabul para os fundamentalistas islâmicos, com a saída das tropas internacionais lideradas pelos Estados Unidos, significou uma deterioração dos direitos das mulheres, com restrições como a segregação por sexo em lugares públicos, a imposição do véu ou a obrigação de serem acompanhadas por um parente de sexo masculino em viagens longas.
A realidade que os afegãos vivem hoje é cada vez mais parecida com a do primeiro regime talibã, entre 1996 e 2001, quando, com base numa interpretação rígida do Islão e do também rigoroso código social conhecido por 'Pashtunwali', as mulheres eram proibidas de frequentar escolas e obrigadas a ficar confinadas em casa.
Leia Também: AR recomenda criação de estatuto de estudante do Superior para afegãs