Alemanha deverá recuperar protagonismo na Europa com novo governo

As negociações para a formação de uma coligação na Alemanha entraram na fase decisiva e o politólogo Aiko Wagner acredita que o novo governo poderá devolver o protagonismo do país no contexto europeu.

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© Michael Kappeler/picture alliance via Getty Images

Lusa
29/03/2025 08:38 ‧ há 3 dias por Lusa

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Começou a fase mais importante das conversas entre a União Democrata-Cristã (CDU) e a União Social-Cristã (CSU), por um lado, e o Partido Social-Democrata (SPD), por outro, que vão decidir se uma "grande coligação" dará origem a um novo executivo. Todos os intervenientes "estão conscientes" de que o "tempo urge" e que a Alemanha "precisa de um novo governo rapidamente".

 

"Espero que tanto a CDU/CSU como o SPD tentem chegar a um acordo de coligação nas próximas semanas. Não é impossível, mas é óbvio que ainda há algumas perguntas sem resposta", sustentou Aiko Wagner, da Universidade Livre de Berlim, em declarações à Lusa.

Após consultas preparatórias a nível técnico, um grupo de 19 negociadores, liderado pelos quatro líderes partidários - Friedrich Merz (CDU), Markus Söder (CSU), Lars Klingbeil (SPD) e Saskia Esken (SPD) -, está agora a abordar as questões difíceis.

Já na semana passada, e com o apoio dos Verdes, as três forças políticas se tinham juntado para fazer passar uma nova lei que pretende a reforma da Constituição, alterando o chamado 'travão constitucional' da dívida, de forma a permitir despesas com a defesa superiores a 1% do Produto Interno Bruto (PIB).

O pacote incluiu a criação de um fundo de investimento de 500 mil milhões de euros para modernizar infraestruturas e estimular o crescimento económico.

"O investimento nas forças armadas alemãs e a recuperação económica deverão ajudar a impulsionar a economia alemã e a tornar a Alemanha um ator relevante da política externa da União Europeia. A proteção do clima, por outro lado, não será tão importante para o próximo governo como foi para o anterior [coligação SPD/Verdes/liberais]. Assim, a Alemanha pode estar de volta à cena internacional, mas pode não ser um ator relevante na política verde", realçou Aiko Wagner.

O vencedor das eleições de 23 de fevereiro, Friedrich Merz, falou de uma "boa conclusão preliminar das negociações exploratórias" e manifestou a sua convicção de que, no final, será alcançado um acordo e a formação de uma coligação, um processo qe já disse que gostaria de ver concluído antes da Páscoa.

"Estamos agora perante consultas intensivas sobre a futura coligação", revelou aos jornalistas em conferência de imprensa.

"Por um lado, Merz quebrou a sua promessa eleitoral sobre o chamado teto da dívida. Politicamente isto vai trazer-lhe custos, especialmente no seu próprio campo. Por outro lado, esta pode ter sido a única forma de construir uma coligação com o SPD, e muitos observadores veem o armamento e mais investimento, mesmo que isso signifique mais dívida pública, como positivos", acrescentou o politólogo da Universidade Nova de Berlim.

Na conferência de imprensa de sexta-feira, Merz mostrou-se confiante na possibilidade de um acordo sobre o tema das migrações, realçando que as negociações neste campo estão a ir "na direção certa".

Para além de uma melhor competitividade, é também necessário um planeamento orçamental sólido para os próximos anos, um dos "maiores desafios", segundo Merz, porque será necessário fazer "grandes poupanças".

Antes do início da "próxima fase" das negociações da coligação, a colíder do SPD, Saskia Esken, criticou os erros cometidos nas discussões anteriores, realçando que o público sabe mais sobre os resultados deste trabalho do que os intervenientes gostariam.

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