"Cometemos um grande erro ao subestimar, não tanto a existência de uma estratégia clara, mas sim de um conjunto de tendências de mudança e de uma enorme determinação em agir de acordo com elas", afirmou a especialista, durante o debate "Aproximação EUA-Rússia: Qual é o objetivo final?", promovido em Londres pelo centro de estudos britânico Chatham House.
Esta antiga assessora do antigo presidente norte-americano Bill Clinton disse acreditar existirem "diferentes tendências ou escolas [de pensamento] dentro da administração". Uma delas sugere que a única ameaça de alguma importância para os Estados Unidos é a China.
"Os EUA não podem competir com sucesso contra a China se também tivermos de fazer tantos esforços para competir contra a Rússia e se a China beneficiar plenamente dos recursos energéticos e da tecnologia militar da Rússia. Portanto, há este argumento muito apelativo entre um certo conjunto de conservadores", disse.
Outros fatores são os valores cristãos e de direita partilhados entre o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o Presidente russo, Vladimir Putin, bem como um potencial interesse numa cooperação energética e no controlo do armamento nuclear.
Porém, Hurlburt avisou que o conflito na Ucrânia pode ser um obstáculo a esta reaproximação entre Washington e Moscovo, devido à importância dos aliados europeus.
A investigadora Orysia Lutsevych Obe, diretora adjunta do Programa para a Rússia e a Eurásia do Chatham House, disse acreditar que Putin quer usar os EUA para voltar a vender petróleo e gás natural à Europa e quer ver as sanções internacionais levantadas.
"Um possível objetivo comum dos dois é enfraquecer o projeto europeu, enfraquecer a União Europeia. Nenhum deles gosta do poder coletivo de negociação do mercado europeu", sugeriu, no mesmo debate.
Para o Kremlin, salientou, isto teria vantagens porque "tornaria muito problemático o futuro da Ucrânia e o futuro de outros países" interessados em aderir à UE.
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