Três mulheres, com idades entre os 27 e os 60 anos, foram detidas por existirem fortes indícios da prática do crime de burla qualificada a uma senhora idosa, atualmente com 88 anos de idade.
De acordo com um comunicado enviado ao Notícias ao Minuto pela Polícia Judiciária (PJ), o inquérito iniciou-se em finais de novembro de 2020, na sequência de uma queixa apresentada pelas filhas da vítima, "detentora de um vastíssimo património mobiliário e imobiliário".
Segundo o documento, os factos "já decorriam desde maio de 2018, altura em que a vitima foi submetida a uma intervenção cirúrgica e, na sequência disso, teve necessidade cuidados de saúde especializados, que foram contratualizados por familiares".
Ao ir criando empatia com a vítima, a pouco e pouco, uma das cuidadoras contratadas acabou por conquistar a sua confiança incondicional.
"Em conjugação de esforços com outra arguida, sua filha, e com a orientação da sua advogada, também agora arguida, aproveitaram-se da debilidade física e psicológica da vítima e passaram a gerir o respetivo património, vendendo ou apropriando-se de uma parte dele e dispondo do restante", adianta a PJ.
As arguidas conseguiram com que a vítima "outorgasse procurações em nome delas" e, assim "promoveram a criação de uma sociedade comercial, que só elas controlavam e geriam, que utilizaram para transferir verbas das contas bancárias tituladas pela idosa, bem como para retirar da posse dela, bens imóveis de que era proprietária".
A PJ acrescenta que as três mulheres "utilizaram ainda a sociedade para contrair empréstimos bancários que só a elas beneficiavam, dando como garantia as aplicações financeiras ou os imóveis da vítima, conseguindo assim apropriar-se de um montante global estimado em setecentos mil euros".
A investigação criminal, desenvolvida pela Policia Judiciária, permitiu recuperar e acautelar o património da vítima, composto, entre outros bens, por prédios urbanos e rústicos, aplicações e disponibilidades financeiras.
Depois de presentes a primeiro interrogatório judicial, as detidas ficaram sujeitas às medidas de coação de proibição de contatos com a idosa e a prestação de cauções, respetivamente, no valor de cinquenta mil euros a duas das arguidas e de vinte mil euros relativamente à terceira.
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