A coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, defendeu, esta quarta-feira, que seja qual for o resultado das eleições de 18 de maio, se manterá de "pedra e cal" no partido porque o que lhe interessa é "a vida das pessoas".
Em entrevista na SIC Notícias, Mariana Mortágua foi questionada acerca da sua liderança no Bloco de Esquerda, que tem cerca de um ano, e se tem um objetivo para o dia 18 de maio, dizendo que quando decidiu chamar os fundadores do partido - referindo a Francisco Louçã, Fernando Rosas e Luís Fazenda foi porque "o mundo está a mudar".
"Há uma viragem à Direita e eu tenho muita consciência dela, o quão perigosa ele é e isso faz com que a minha presença na vida política seja muito mais que objetivos sobre a minha vida, carreira ou número de votos. Tem a ver com a presença da Esquerda e o combate da Esquerda pelas coisas mais importantes da vida", sublinhou.
Já questionada sobre se isso também se mede pelo número de votos e deputados, Mortágua respondeu afirmativamente. No entanto, salientou que "mais importante é garantir que em Portugal há uma Esquerda com princípios, que olha para a guerra, habitação, que olha para a injustiça de milionários cada vez mais milionários [...] e que diz que isto não pode ser assim e tem medidas para cada um destes temas, que são as medidas da Esquerda, da comunidade da solidariedade".
Sobre uma possível saída do partido caso o resultado das eleições não se traduza em votos e deputados, Mariana Mortágua afirmou: "Terei de continuar de lutar".
"O Bloco de Esquerda é um projeto coletivo, lutamos por uma vida melhor [...] é uma luta coletiva do Bloco de Esquerda", acrescentando que se manterá no partido de "pedra e cal" e que lhe interessa "a vida das pessoas".
Debates? "Estarei à espera que Luís Montenegro venha a debate"
Depois das declarações feitas durante a tarde, Mariana Mortágua reiterou que quer debater com Luís Montenegro e que não pode aceitar que o primeiro-ministro escolha com quem quer debater.
Questionada sobre qual a diferença entre debater com Nuno Melo ou Luís Montenegro, a líder do Bloco de Esquerda frisou que se deve "debater com os restantes líderes das coligações, dos partidos, é assim o debate democrático".
"O que nós não podemos aceitar é um candidato que é líder de uma coligação, que se apresenta como putativo candidato a primeiro-ministro, escolha com quem quer ou não debater", notou.
Mariana Mortágua sublinhou que é "incompreensível" que Luís Montenegro "escolha debater com o PS, Chega, Iniciativa Liberal e PCP, mas não com o Bloco de Esquerda. Não há qualquer critério que justifique, a não ser escolher adversários conforme a conveniência. Eu vou insistir, eu quero debater com Luís Montenegro".
Caso o presidente do PSD não apareça para debater com Mariana Mortágua, a líder do Bloco de Esquerda afirmou que a "democracia fica menorizada".
Já sobre se não debaterá com Nuno Melo, Mortágua notou que se Nuno Melo "vier como presidente do CDS e Luís Montenegro como presidente do PSD, com certeza estaremos nesses debates".
Se Nuno Melo vier enquanto representante da AD, a coordenadora do Bloco de Esquerda disse que irá refletir "sobre este assunto".
"Quero debater com Luís Montenegro, é isso que eu quero", voltou a sublinhar Mariana Mortágua.
Na entrevista, Mariana Mortágua falou ainda da crise de habitação em Portugal e das sondagens que não dão um bom resultado ao Bloco de Esquerda.
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