O presidente executivo da TAP, Ramiro Sequeira, admite que todos os cenários estão a ser avaliados relativamente à Groundforce, incluindo a venda da participação de 49,9% da TAP na empresa de 'handling'.
"Se a Pasogal vender a sua parte, teremos de analisar as implicações disso. Todos os cenários estão a ser avaliados também dentro do ponto de vista de acionista maioritário para estarmos preparados seja qual for a solução que venha a acontecer. Nós não temos preferência por nenhuma solução em concreto. Estamos a aguardar", disse Ramiro Sequeira, em entrevista ao ECO, quando questionado sobre se a TAP tem interesse em vender a Groundforce, se a Pasogal o fizer.
Questionado sobre se foram abordados por um potencial comprador, Ramiro Sequeira não se alongou: "Não é um assunto que eu possa comentar".
Na semana passada, o Governo reconheceu que os salários dos trabalhadores da Groundforce em maio poderão estar em risco, uma vez que a TAP não tem condições de voltar a ajudar a empresa, disse o secretário de Estado Adjunto e das Comunicações, Hugo Santos Mendes.
A 19 de março, depois de várias negociações, a Groundforce e a TAP chegaram a um acordo, em que a companhia aérea adquiriu por cerca de sete milhões de euros equipamentos da empresa de 'handling' (assistência nos aeroportos), que passa a pagar à TAP pelo aluguer deste material. Este acordo permitiu desbloquear provisoriamente o impasse na empresa e pagar os salários em atraso aos 2.400 trabalhadores.
O acordo foi fechado com três votos a favor -- os dois administradores nomeados pela TAP e o presidente executivo da empresa de 'handling', Paulo Neto Leite --, a abstenção do presidente do Conselho de Administração, Alfredo Casimiro, e um voto contra, disse então à Lusa fonte ligada ao processo.
Segundo adiantou à Lusa a mesma fonte, os dois administradores da Groundforce nomeados pela TAP, acionista minoritário (49,9%), aprovaram o acordo, a que se juntou o presidente executivo da empresa de 'handling', Paulo Neto Leite (nomeado pela Pasogal), que já tinha manifestado na véspera a sua intenção de validar o acordo proposto pela TAP.
Por seu lado, o presidente da Pasogal absteve-se e o outro administrador nomeado pelo acionista privado, Gonçalo Carvalho, votou contra.
A Groundforce é detida em 50,1% pela Pasogal e em 49,9% pelo grupo TAP, que, em 2020, passou a ser detido em 72,5% pelo Estado português e que é acionista minoritário e principal cliente da empresa que presta assistência nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro, Funchal e Porto Santo.
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