EUA instam governos a protegerem uigures e não deportarem para a China

Os Estados Unidos instaram hoje todos os governos onde os uigures procuram proteção a não forçarem o regresso de pessoas desta minoria à China, condenando a deportação executada recentemente pela Tailândia.

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© Artur Widak/NurPhoto via Getty Images

Lusa
28/02/2025 06:39 ‧ há 5 horas por Lusa

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"Apelamos a todos os governos dos países onde os uigures procuram proteção que não devolvam à força os uigures étnicos à China", frisou o Departamento de Estado norte-americano, em comunicado.

 

Numa nota de condenação à Tailândia, pela deportação de 40 uigures, uma minoria muçulmana perseguida por Pequim, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, destacou que "este ato contraria a longa tradição do povo tailandês de proteção dos mais vulneráveis e é inconsistente com o compromisso da Tailândia de proteger os direitos humanos".

"Como aliados de longa data da Tailândia, estamos alarmados com esta ação, que corre o risco de violar as suas obrigações internacionais ao abrigo da Convenção das Nações Unidas contra a Tortura e da Convenção Internacional sobre a Proteção de Todas as Pessoas contra o Desaparecimento Forçado", destacou também.

A diplomacia norte-americana frisou também que "a China, sob a direção e controlo do Partido Comunista Chinês, cometeu genocídio e crimes contra a humanidade visando predominantemente uigures muçulmanos e outros membros de grupos étnicos e religiosos minoritários em Xinjiang".

"Apelamos às autoridades chinesas para que forneçam acesso total para verificar regularmente o bem-estar dos uigures que regressam. O Governo tailandês deve insistir e verificar continuamente que as autoridades chinesas protegem os direitos humanos dos uigures", concluiu.

Também a União Europeia (UE), pela porta-voz da chefe da diplomacia dos 27, Kaja Kallas, lamentou hoje a deportação para a China pela Tailândia de 40 uigures.

A mesma fonte sublinhou que a UE insta Pequim a cumprir as suas obrigações no âmbito do direito nacional, incluindo a Constituição, e do direito internacional, no sentido de "respeitar e proteger os direitos humanos dos 40 uigures que regressaram à China".

A Tailândia deportou hoje 40 uigures para a China, na sequência de um acordo com Pequim e apesar dos apelos das Nações Unidas e das organizações de defesa dos direitos humanos para que não o fizesse.

"Penso que é um procedimento normal repatriar pessoas consideradas imigrantes ilegais. Os uigures não são diferentes, têm de ser repatriados. Quantos anos mais teriam de ser detidos: 11, 12, 13? São seres humanos, devem poder regressar", disse o chefe da polícia tailandesa, Kittirat Panpetch, em conferência de imprensa.

A confirmação surgiu após horas de rumores de uma operação secreta. O próprio chefe da polícia tinha dito anteriormente que não podia revelar pormenores por razões de segurança nacional.

O Ministério da Segurança Pública da China informou anteriormente que a Tailândia deportou 40 cidadãos chineses que se encontravam em "situação migratória irregular" no âmbito de uma operação conjunta entre a China e a Tailândia contra crimes transfronteiriços, sem especificar que se tratava de uigures.

No final de janeiro, a ONU pediu à Tailândia para suspender "imediatamente" a deportação de 48 uigures para a China, devido ao risco de represálias contra os membros da minoria étnica. Desconhece-se a situação dos oito que não foram deportados.

Os 48 uigures fazem parte de um grupo de cerca de 350 pessoas desta minoria ligada aos povos da Ásia Central que foram detidas em 2014 quando entraram irregularmente na Tailândia.

Em 2015, Banguecoque deportou mais de 100 homens uigures para a China, desencadeando uma onda de indignação internacional, e paralelamente enviou 170 mulheres e crianças uigures para a Turquia.

O resto do grupo que não foi deportado está incomunicável, sem acesso a advogados, familiares ou representantes de agências da ONU.

Nos últimos anos, várias organização e governos ocidentais acusaram Pequim de reprimir e deter milhares de uigures em centros de reeducação.

Leia Também: China recusa pedir desculpa após manobras navais ao largo da Austrália

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