O suspeito, um imigrante ilegal argelino, de 37 anos, esfaqueou no sábado um transeunte, o cidadão português de 69 anos, e feriu outras sete pessoas, incluindo dois funcionários do parque de estacionamento gravemente feridos e cinco agentes da polícia municipal, gritando "Allah Akbar".
O homem é objeto de uma investigação judicial por homicídio, tentativa de homicídio de pessoas no exercício da autoridade pública e violência com arma contra agentes da polícia municipal, tudo isto relacionado com uma conspiração terrorista.
O cidadão português morreu após tentar interferir no ataque.
Detido pela polícia, o alegado atacante admitiu "parcialmente" as acusações, mas "nega qualquer adesão às teorias jihadistas", declarou hoje a Procuradoria Nacional Antiterrorista (Pnat), que pediu a sua prisão preventiva.
Os seus dois irmãos e o seu anfitrião foram igualmente detidos. Foram libertados na noite de terça-feira e na manhã de hoje, "na ausência de quaisquer elementos que permitam, nesta fase das investigações, caracterizar o seu envolvimento no projeto terrorista criminoso", explicou a Pnat num comunicado de imprensa.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, referiu que o ataque com uma arma branca em Mulhouse foi um "ato de terrorismo" e "islâmico", que tenta "há oito anos erradicar" do país.
O ministro do Interior, Bruno Retailleau, referiu-se ao "perfil esquizofrénico", "detetado" durante uma investigação por apologia do terrorismo, mas um exame médico concluiu que os seus atos não faziam "parte de um padrão delirante".
O suspeito encontra-se em situação irregular desde a sua chegada a França, em 2014, e está sujeito a uma obrigação de saída do território francês (OQTF) desde novembro de 2023.
A Argélia recusou "dez vezes" receber o seu nacional, o que o primeiro-ministro francês considerou "inaceitável".
O ataque alimentou ainda mais as tensões já elevadas entre Paris e Argel, que nas últimas semanas se recusou a receber de volta vários dos seus cidadãos expulsos de França.
O primeiro-ministro francês, François Bayrou, convocou para hoje uma reunião do seu Governo sobre o controlo da imigração no meio de uma crise com Argélia.
O último ataque islâmico fatal em França foi em dezembro de 2023, quando um franco-iraniano matou um turista perto da Torre Eiffel em Paris com uma faca.
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