Na 17.ª sessão do julgamento do caso relacionado com a alegada viciação de normas e instrução de processos de licenciamentos urbanísticos na Câmara de Gaia, a decorrer no tribunal local, Elad Dror revelou que pediu ajuda àquele promotor imobiliário depois de a autarquia colocar problemas ao projeto Riverside.
Segundo o Ministério Público (MP), os empresários Elad Dror e Paulo Malafaia "combinaram entre si desenvolverem projetos imobiliários na cidade de Vila Nova de Gaia, designadamente os denominados Skyline/Centro Cultural e de Congressos, Riverside e Hotel Azul", contando com o alegado favorecimento por parte do ex-vice-presidente da câmara Patrocínio Azevedo que receberia, em troca, dinheiro e relógios.
O MP defende ainda que o advogado João Pedro Lopes, também arguido neste processo, fazia a ponte de Paulo Malafaia e Elad Dror com Patrocínio Azevedo.
O arguido revelou que os 50 mil euros foram entregues a Paulo Malafaia em 2021 em numerário, em três vezes, e não duas como sustenta a acusação, e sem emissão de fatura.
Elad Dror frisou que tentou, por diversas vezes, que Paulo Malafaia lhe passasse uma fatura desse valor, mas sem sucesso.
Questionado pelo juiz sobre o porquê de pedir ajuda a Paulo Malafaia, o fundador do grupo Fortera referiu que aquele era português, mais expedito e mais próximo da câmara, por isso, achou que o iam respeitar mais do que a ele.
Já sobre se não estranhou o facto de o empresário lhe pedir dinheiro em numerário e sem emissão de fatura, Elad Dror salientou que podia haver imensas razões, desde não querer pagar IVA, ter a conta bloqueada ou querer ficar com o dinheiro por questões pessoais.
"Mas podia ser para pagar a alguém na Câmara Municipal de Gaia?", questionou o magistrado.
"Não, não. Para mim há linhas vermelhas, não fazemos coisas ilegais. Não se pede fatura a alguém que acabamos de corromper e, para além disso, não o escondi da minha empresa e dos meus sócios", respondeu.
Relativamente à oferta de relógios ao ex-vice-presidente da Câmara de Gaia, Elad Dror frisou ter aceitado participar, juntamente com Paulo Malafaia e o advogado João Pedro Lopes, na compra de dois relógios, e não três como refere a acusação, no valor de 3.000 euros cada um.
"O Paulo Malafaia disse-me que ia, juntamente com João Pedro Lopes, oferecer um relógio ao vice-presidente e se estava disposto a participar e, assim, dividir os custos pelos três", relatou.
Elad Dror revelou que aceitou porque não quis ser "mal-educado ou parecer forreta".
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