"Sempre tive um fascínio por canções que contam histórias"

O álbum de estreia de Maia Balduz, 'A casa que hoje sou', hoje editado, reflete o percurso e influências da cantora, mas também a forma como vê a música, com géneros que se misturam e coexistem num mesmo disco.

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© Maia Balduz

Lusa
28/02/2025 18:27 ‧ há 4 horas por Lusa

Cultura

Música

Formada em Canto Jazz, no álbum de estreia Maia Balduz não se limitou a nenhum género musical. "Porque acho que cada uma das canções tem o seu próprio espaço, a sua própria identidade. E eu quis deixar que cada música existisse naquilo que ela naturalmente é, sem forçar nenhuma uniformidade", contou em entrevista à agência Lusa.

 

'A casa que hoje sou' começou por ser o trabalho final de curso. No último ano do curso da Escola Superior de Música, os alunos são desafiados por uma das professoras, a cantora Maria João, a criar um álbum, explicou Maia Balduz.

"Não é uma exigência criar um álbum de originais. Mas eu pensei que já que ia fazer um álbum, mais valia ser algo a que me dedicasse e levasse a fundo, em vez de ser um trabalho de faculdade, ser mesmo o meu disco de estreia", referiu.

E assim surgiu 'A casa que sou', que é um reflexo do percurso de Maia Balduz, das suas influências e da forma como vê a música.

"Musicalmente o disco passa por muitos registos diferentes, daí ter muita dificuldade em categorizá-lo num só género. No fundo é um álbum de música portuguesa, em que estão reunidas todas as influências que me fazem sentir parte deste universo musical", disse.

Os cantautores Chico Buarque, Manel Cruz, Sérgio Godinho e Fausto Bordalo Dias são apontados por Maia Balduz como as suas maiores influências para a criação do álbum.

"Sempre tive um fascínio por canções que contam histórias, que nos transportam para lugares", disse.

As letras de 'A casa que sou' são poemas, todos de Fernando Pessoa, exceto um, que foi encomendado a José Lobo Antunes.

Maia Balduz partiu dos poemas, que a levaram a sonoridades que depois transformou em canções.

"Foi isto que desencadeou um álbum em que parece que cada música acaba por estar com um género diferente. Quando estava a ler os poemas começavam a surgir melodias na minha cabeça, foi uma coisa muito espontânea", partilhou.

A composição das canções e as orquestrações foram feitas com o guitarrista e compositor Simão Bárcia, um dos muitos músicos que colaboraram no álbum.

Ao todo são 16 os músicos que surgem na ficha técnica de 'A casa que sou', a maior parte antigos colegas de Maia Balduz na Escola Superior de Música e na escola do Hot Clube de Portugal, mas também músicos que a cantora admira e ganhou coragem para convidar. Bernardo Tinoco, Ana Albino, Inês Almeida, Inês Proença, Edviana Moreno e Bruna Maia de Moura estão entre os músicos que participam no álbum, assim como Diogo Alexandre, Diogo Duque, Miguel Fernández, Mariana Ramos Correia, Sara Afonso, Samuel Pacheco, Shubham Das, Raj Rütra e Ricardo Sousa.

Em 'A casa que sou' ouvem-se instrumentos de sopro (saxofone, trompete, trombone, flauta transversal), de percussão (bateria e tabla) e de cordas (violinos, violoncelo, contrabaixo, baixo elétrico, guitarra elétrica, guitarra semiacústica, guitarra clássica), e várias vozes, além da de Maia Balduz.

A última música é um tema coral e há também dois duetos, um com Maria João, "uma influência enorme no mundo do jazz", e com outro João Mesquita, cantor que Maia considera que "merece mais atenção, porque faz um trabalho muito bom e tem uma voz bastante particular".

'A casa que sou' está desde hoje disponível nas plataformas digitais, mas a cantora está também a trabalhar no formato físico, com uma artista de cerâmica, Linhas de Sentinela.

"Ela está a criar as peças que vão ter um disco NFC [tecnologia de comunicação por campo de proximidade], em que ao tocar com o telemóvel na peça, o disco começa a tocar", explicou.

Em vez dos habituais CD ou Vinil, para Maia faz mais sentido "criar uma peça única que as pessoas possam ter em casa, e tem o lado especial de ser dois em um".

Além da peça que irá conter o álbum, que deverá estar à venda em março, mais tarde haverá outras ligadas também ao álbum.

Quanto a espetáculos de apresentação de 'A casa que sou' ao vivo, as datas ainda estão a ser fechadas.

Leia Também: "Trabalhamos todos mais em colaboração do que em competição"

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