A ação judicial alega discriminação contra os latinos, maus tratos, abusos e coação de alguns imigrantes para se auto deportarem para o México, e considera "ilegais" as rusgas no Vale Central, em que foram detidos dezenas de imigrantes.
A queixa alega ainda que os agentes da Patrulha Fronteiriça, normalmente destacados ao longo da fronteira entre os Estados Unidos e o México, viajaram mais de 400 quilómetros até Bakersfield, a norte de Los Angeles, em janeiro, para levar a cabo a operação.
Estes agentes podem efetuar buscas sem mandado a veículos num raio de 160 quilómetros de qualquer fronteira internacional ou via navegável, mas Bakersfield fica longe da costa do Pacífico da Califórnia.
A ação judicial envolve o Departamento de Segurança Interna, do qual faz parte a Patrulha de Fronteira.
Durante uma semana, a Patrulha de Fronteira implementou operações em áreas predominantemente latinas no Condado de Kern e arredores, alegadamente detendo e prendendo indiscriminadamente minorias, especialmente trabalhadores agrícolas e diaristas, sem verificar o seu verdadeiro estatuto de imigração, detalha o documento legal.
Uma das queixosas é Maria Hernandez Espinoza, residente há 20 anos no condado de Kern.
De acordo com a queixa, os agentes da Patrulha de Fronteira obrigaram Hernandez a assinar documentos que ela não estava autorizada a ler e que, sem o seu conhecimento, implicavam a sua saída voluntária do país.
Apesar dos seus apelos para comparecer perante um juiz de imigração, o seu direito foi-lhe negado, diz a queixa. Hernandez e pelo menos 40 outros foram deportados para o México, separando-os das suas famílias sem qualquer certeza sobre quando poderão regressar.
"Fomos detidos por parecermos latinos ou trabalhadores agrícolas, devido à cor da nossa pele. Foi injusto", disse Hernandez.
A ação judicial também alega que os agentes da Patrulha de Fronteira montaram postos de controlo em autoestradas e estradas perto de quintas e empresas, alegadamente prendendo pessoas com base na sua aparência.
Mesmo as pessoas com estatuto legal de imigração foram vítimas de detenções arbitrárias, detalha o processo.
Nalguns casos, os agentes terão reagido com violência, partindo os vidros dos veículos, danificando os pneus e, num incidente relatado, atirando uma mulher idosa ao chão antes de a libertarem após verificarem que ela tinha residência legal.
O UFW denuncia que este tipo de operações não só afecta os migrantes, como também gera medo e exploração laboral nos campos agrícolas.
"Como resultado destas táticas coercivas, dezenas de residentes do condado de Kern estão agora retidos no México, longe das suas casas e famílias", lamentou Teresa Romero, presidente da UFW.
Os queixosos, representados pelos gabinetes da União Americana das Liberdades Civis (ACLU) na Califórnia, procuram representar as pessoas detidas sem suspeita razoável, as que foram presas sem provas suficientes de risco de fuga e as que foram forçadas a aceitar a "partida voluntária" sem uma renúncia consciente dos seus direitos.
O advogado Ajay Krishnan considerou as ações "inadmissíveis".
"Viajar 300 milhas (482 quilómetros) da fronteira para deter pessoas com base na sua cor de pele é inaceitável. Mas o comportamento dos agentes, desde partir vidros e cortar pneus até atirar uma avó ao chão antes de a libertar ao ver a sua carta verde, é completamente ultrajante", acrescentou.
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