"O CICV confirma que viu o recente vídeo em que a nossa colega Sonja Nientiet pede a sua libertação. Estamos atualmente a analisá-lo. Estamos profundamente preocupados com o seu estado de saúde e estamos a fazer tudo o que está ao nosso alcance para garantir a sua libertação em segurança", disse o porta-voz do CICV, Christian Cardon, à agência de notícias France-Presse (AFP), em Genebra, Suíça.
"Há quase sete anos, a nossa colega Sonja e a sua família têm estado a passar por uma provação inimaginável depois de Sonja ter sido raptada do complexo do CICV em Mogadíscio", referiu, ainda, o porta-voz.
No vídeo, que o CICV pediu aos meios de comunicação social que não divulgassem mais amplamente, "por respeito à família de Sonja", Nientiet dá uma indicação da data aproximada da gravação.
Refere-se a um ataque "há uma semana" contra a caravana do Presidente da Somália, Hassan Cheikh Mohamoud, que teve lugar a 18 de março. O ataque foi reivindicado pelos Al-Shebab, combatentes ligados à Al-Qaida, que lutam contra o Governo federal da Somália há mais de 15 anos.
Vestida com uma peça de vestuário em que mostra apenas o rosto, Nientiet apela ao seu Governo e à sua família para que façam tudo o que estiver ao seu alcance para garantir a sua libertação.
No vídeo, que dura cinco minutos e 38 segundos, a enfermeira aparece sozinha contra um fundo verde-escuro neutro e não dá qualquer indicação visível do local onde está detida.
"A nossa prioridade é fazer tudo o que for possível para garantir que Sonja seja libertada rapidamente, em segurança e sem ferimentos", sublinhou o porta-voz do CICV em Genebra.
"Apesar de ser angustiante e difícil de ver", o vídeo "também dá esperança" de que Nientiet seja libertada, refere Cardon, acrescentando que "o CICV continuará a trabalhar incansavelmente, com toda a sua influência, para o conseguir".
Nientiet foi raptada em maio de 2018 dos escritórios da organização na capital da Somália por homens armados.
Os somalis que trabalhavam para o CICV em Mogadíscio na altura disseram à AFP que os raptores entraram no complexo da organização por uma porta nas traseiras e levaram a enfermeira num veículo previamente posicionado.
O porta-voz do Ministério da Segurança tinha igualmente afirmado que os raptores tinham beneficiado de cumplicidade interna.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão afirmou que, por uma questão de princípio, o Governo não comenta casos de reféns que envolvam cidadãos alemães no estrangeiro.
O Governo somali intensificou a sua campanha militar contra o Al-Shebab nos últimos meses, com as tropas a obterem ganhos territoriais.
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