Centenas de médicos "viram-se obrigados" a deixar o SNS
O presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM) afirmou hoje que centenas de clínicos "viram-se obrigados" a sair do Serviço Nacional de Saúde (SNS) nos últimos anos devido às condições de trabalho "muito difíceis".
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País Covid-19
"Deixaram-se sair do SNS centenas de médicos, a quem, se lhes tivessem sido propostas condições adequadas, poderiam ter ficado a contribuir para este esforço [de combate à pandemia], como seria o desejo de muitos, mas que se viram obrigados a não ficar presos a condições de trabalho que são muito difíceis", salientou Noel Carrilho.
Ouvido na Comissão Eventual para o acompanhamento da aplicação das medidas de resposta à pandemia da doença covid-19 e do processo de recuperação económica e social, o dirigente da FNAM considerou ser "inaceitável que não tivesse sido feito um esforço para melhorar as condições de trabalho dos médicos no SNS", de modo a atraí-los para uma carreira na função pública.
"Relembro que temos anualmente concursos para colocar especialistas no SNS: 30% dos médicos de família e 40% dos médicos de hospitalares ficaram de fora do concurso. São centenas de médicos que podiam agora estar a trabalhar no combate à pandemia e às patologias não covid", alertou Noel Carrilho.
O presidente da FNAM disse aos deputados que o SNS já estava "bastante precário" antes da pandemia, com um "défice muito significativo" de meios técnicos e humanos.
"Não se pode dizer que é de agora que a falta de meios tenha chegado ao SNS. Se se tivesse apostado a tempo num verdadeiro investimento no SNS, talvez agora não estivéssemos numa situação tão aflitiva e diria mesmo catastrófica", considerou Noel Carrilho.
O presidente da FNAM lamentou ainda que as instituições que representam os médicos não tenham sido ouvidas pelo governo, no âmbito dos diversos planos estabelecidos para responder a pandemia, ao nível da vacinação e do confinamento.
"Os profissionais que trabalham no terreno e que fazem da sua vida salvar a vida dos outros, não foram tidos nem achados, o que levou a erros crassos" na gestão da pandemia, referiu o responsável da FNAM.
Em Portugal, morreram 11.608 pessoas dos 685.383 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.
A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.
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