"Antes, podia ser apenas uma brincadeira, mas agora é uma coisa séria, que traz benefícios para artistas, artesãos e costureiros. Todos trabalham durante o Carnaval e recebem um pagamento, algo que, por vezes, não acontece ao longo do ano", explicou à Lusa Ana Soares, presidente do grupo Flores do Mindelo.
Já lá vai o tempo em que os adereços para o desfile no centro da cidade do Mindelo eram feitos "com papéis e farinha de trigo como cola", descreveu.
David Leite, presidente do grupo Samba Tropical, reforçou essa evolução: "O Carnaval de São Vicente está completamente profissionalizado".
Atualmente, há costureiras, equipas de marketing e comunicação, entre outros serviços especializados.
"Até nós, que fazemos o Carnaval, ficamos deslumbrados com a qualidade, o brilho, o 'glamour' e a inovação", afirmou.
Mas o que torna o Carnaval da ilha especial é "a sua autenticidade".
"A nossa música é muito diferente, é mais rica" e a festa não se resume aos desfiles oficiais - perante um júri -, mas inclui também a tradição dos mandingas (desfile popular) e o ambiente em redor, numa confluência de música, rituais e costumes dos dois lados do Atlântico.
A menos de uma semana da noite de folia, Júlio do Rosário, presidente do grupo Estrela do Mar, é umas das pessoas atarefadas com os últimos preparativos, porque o desfile "atingiu um nível altíssimo", com evolução nos desenhos, nas fantasias e nas roupas.
"Hoje, podemos importar materiais, ter 'designers' estrangeiros, acrescentar qualidade e criatividade", referiu, apontando a necessidade de se fazer um estudo para medir o impacto do evento na economia cabo-verdiana.
Dirce Vera Cruz, presidente do grupo Vindos do Oriente, referiu que, desde 2019, com exceção dos anos da pandemia, o evento tem sido cada vez mais profissional.
"A Câmara tem dado mais apoio, a economia cresceu, o turismo aumentou e o Carnaval ganhou uma nova dimensão", afirmou.
Além disso, a população está mais envolvida: "O Carnaval é uma época em que todos se dedicam ao evento, deixando de lado a vida familiar, financeira e profissional", explicou.
Jailson Jeff, presidente do grupo Cruzeiros do Norte, reconheceu que há dificuldades financeiras, mas a festa continua a crescer.
"A qualidade do desfile melhorou, o espetáculo está a um bom nível e o evento atrai cada vez mais visitantes. O mais importante é ver a alegria do público. Se não houvesse Carnaval, seria uma grande tristeza".
Considerado um dos maiores e mais emblemáticos de Cabo Verde, o Carnaval de São Vicente cresceu além-fronteiras e atrai turistas de várias partes do mundo.
Embora outras ilhas, como São Nicolau, Santiago e Fogo, também celebrem a data com festas populares, é em São Vicente que o evento atinge o seu auge, refletindo a riqueza cultural que faz do Carnaval uma das formas de expressão da identidade cabo-verdiana.
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