Em comunicado, o Ministério Público esclareceu que Georgescu foi acusado, considerando-o suspeito, entre outras coisas, de encorajar uma organização de caráter fascista ou racista e de promover o culto de suspeitos de crimes de guerra.
Trata-se de infrações semelhantes às que, segundo a televisão pública local, tinham levado, algumas horas antes, a um total de 47 buscas em vários distritos e envolvendo várias pessoas, incluindo Horatiu Potra, um colaborador próximo de Georgescu.
A Aliança para a Unidade Romena (AUR), de extrema-direita, anunciou uma manifestação em frente à Procuradoria-Geral, tendo já sido destacada segurança excecional para garantir a ordem pública.
A polícia apelou aos que se desloquem para a zona que se comportem de forma "civilizada".
Através das redes sociais, o primeiro-ministro romeno, Marcel Ciolacu, sublinhou que "a justiça é independente e deve ser aplicada de forma igual a todas as pessoas", desde que "respeite todos os direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos".
"A Roménia é uma democracia em que a separação de poderes funciona plenamente", acrescentou, escusando-se a "comentar" os acontecimentos recentes.
Para o governante, num "contexto eleitoral", as autoridades judiciais têm o "dever" de apresentar "provas extremamente sólidas" no caso de investigações que envolvam "um potencial candidato" às novas eleições de 04 de maio, como seria o caso de Georgescu.
"Só a comunicação de provas claras e irrepreensivelmente fundamentadas pode evitar que a investigação criminal se transforme num manifesto eleitoral de um determinado candidato", advertiu.
De forma surpreendente, Georgescu venceu a primeira volta das eleições presidenciais, de 24 de novembro, com 23% dos votos, quando as sondagens lhe atribuíam cerca de 6% das intenções de voto.
Porém, o Tribunal Constitucional anulou as eleições a 06 de dezembro, 48 horas antes da segunda volta, para a qual Georgescu era favorito, por suspeita de interferência de um "agente de um Estado estrangeiro", em referência à Rússia, e de irregularidades no financiamento da campanha.
O candidato de extrema-direita liderava as sondagens com mais de 20% dos votos, ao fazer campanha sobretudo na plataforma TikTok.
Posteriormente, as autoridades romenas desclassificaram relatórios do serviço de informações que relatavam "manipulação observada no TikTok e o uso secreto de influenciadores para fins de propaganda eleitoral".
A Comissão Europeia anunciou, em meados de dezembro, a abertura de um inquérito contra a rede social suspeita de ter falhado nas suas obrigações.
A justiça romena deverá até 15 de março decidir se autoriza a candidatura do ultranacionalista para o próximo escrutínio.
À chegada à Procuradoria, Georgescu recusou-se hoje a responder às perguntas dos jornalistas, mas a sua equipa relatou a ação da polícia nas redes sociais, garantindo ter ocorrido quando o político planeava apresentar uma nova candidatura à presidência.
"Georgescu ia apresentar a sua nova candidatura à presidência (...) Há cerca de 30 minutos, o sistema parou-o no trânsito e ele foi detido para ser interrogado na Procuradoria-Geral! Onde está a democracia, onde estão os parceiros que devem defender a democracia?", escreveu a equipa no Facebook.
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