Numa carta dirigida a Starmer, publicada nas redes sociais, Anneliese Dodds, que se demitiu do cargo de secretária de Estado do Desenvolvimento Internacional e da Mulher, reconheceu a necessidade de aumentar a despesa com a defesa e disse que sabia que o orçamento da ajuda poderia ter de pagar uma parte desse aumento.
Mas sustentou que a escala do corte é tão grande que vai "retirar comida e cuidados de saúde a pessoas desesperadas" e prejudicar "profundamente" a reputação do Reino Unido.
"[O primeiro-ministro] afirmou que pretende manter o apoio a Gaza, ao Sudão e à Ucrânia, à vacinação, ao clima e aos sistemas baseados em regras. No entanto, será impossível manter estas prioridades, dada a profundidade do corte; o efeito será muito maior do que o foi anunciado", escreveu.
Na terça-feira, Starmer afirmou que o governo vai aumentar a despesa com a defesa do Reino Unido para 2,5% do produto interno bruto até 2027, contra os atuais 2,3%, dizendo que a Europa se encontra numa nova era de insegurança que exige uma "resposta geracional".
O aumento será financiado por uma redução do orçamento de ajuda de 0,5% do PIB para 0,3%, uma decisão que Starmer descreveu como "muito difícil e dolorosa".
O aumento da despesa com a defesa mereceu o apoio do Presidente dos EUA, Donald Trump, mas foi fortemente criticado pelas organizações de ajuda humanitária, que afirmaram que não só prejudica algumas das pessoas mais pobres do mundo, como também reduz o poder de influência do Reino Unido.
Na sua carta, Dodds disse que não se demitiu no início desta semana, quando o corte no orçamento da ajuda foi anunciado, porque era "imperativo" que Starmer tivesse "um Governo unido" a apoiá-lo antes da sua viagem a Washington para se encontrar com Trump na quinta-feira.
"É por essa razão que só estou a escrever-lhe agora que a sua reunião com o Presidente Trump terminou", acrescentou.
A demissão foi apoiada pelos deputados do Partido Trabalhista Dianne Abbott e Barry Gardiner, identificados com a esquerda do partido do Governo.
Leia Também: Carla Barreto vai ser a primeira mulher portuguesa 'Mayor' no Reino Unido