A organização sediada em Londres, que tem uma rede de informadores em todo o país, indicou que aquelas pessoas morreram em resultado de tortura quando estavam presas na base aérea de al-Mezzeh, conhecido como um dos principais centros de detenção do antigo regime, que foi derrubado no dia 08 de dezembro do ano passado.
O Centro para a Justiça e Responsabilidade na Síria observa no seu 'site' que a base militar se tornou "parte integrante do sistema de desaparecimentos que o Governo de Assad expandiu depois de 2011", referindo-se ao início da guerra civil no país.
A entidade sublinha que as mortes de detidos "ocorreram regularmente" nas instalações e estima que cerca de mil pessoas tenham morrido nas celas devido à "tortura e às péssimas condições de vida sob custódia", tendo "centenas, ou mesmo milhares, de pessoas sido alegadamente executadas".
Logo após a queda do regime e da partida de Bashar al-Assad para a Rússia, no seguimento de uma operação relâmpago de grupos rebeldes armados, na base aérea de al-Mezzeh apenas restavam edifícios e hangares abandonados apressadamente e vandalizados, um cemitério de aviões e helicópteros militares destruídos, alguns nos dias anteriores pelas forças israelitas, e ainda a prisão política libertada.
A cadeia na grande base militar, que serviu de base logística para reprimir os protestos contra o regime e que era também conhecida como o "aeroporto privado" da família Assad, era uma das que funcionavam como estabelecimentos de detenção, tortura e extermínio, de que o seu exemplo máximo foi Sednaya, nos arredores norte da capital.
Quando foi libertada pelos rebeldes, estavam cerca de mil prisioneiros no interior de al-Mezzeh, segundo testemunhos recolhidos pela Lusa no local em dezembro, altura em que muitas pessoas se concentravam junto da porta de armas da unidade em busca de um vestígio de familiares desaparecidos.
Segundo o Observatório Sírio para o Direitos Humanos, desde a queda do regime de al-Assad, foram descobertas 22 valas comuns no país, contendo os restos mortais de quase 2.700 pessoas.
O responsável da agência, Osama Suleiman, conhecido por Rami Abdulrahman, afirmou na terça-feira que as valas comuns até agora localizadas "são apenas uma pequena parte" do passado da Síria.
"Há sepulturas que ainda não foram descobertas", destacou, acrescentando que "os corpos de cerca de 50 mil mártires que morreram em centros de detenção do antigo regime ou que foram mortos em postos de controlo das forças do regime não foram encontrados ou estão enterrados em local desconhecido".
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