Mãe de opositor egípcio em risco de morte após 150 dias em greve de fome 

A mãe do opositor egípcio-britânico Alaa Abd-el Fattah corre agora "um risco elevado de morte" após 150 dias de greve de fome para obter a libertação do filho preso em Cairo, segundo o seu médico.

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© Maksim Konstantinov/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

Lusa
26/02/2025 11:56 ‧ há 3 horas por Lusa

Mundo

Alaa Abd-el Fattah

"O seu estado de saúde é agora extremamente grave" devido ao nível baixo de açúcar no sangue (hipoglicemia), o que representa "risco imediato para a sua vida" e ameaça deixar sequelas permanentes em alguns órgãos, declarou o médico que trata Laila Soueif, de 68 anos, no hospital Guy and St Thomas, em Londres, numa carta publicada hoje pela família.

 

Soueif mantém uma greve de fome há 150 dias para pressionar o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, a intervir diretamente junto do Presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sissi, ingerindo apenas café, chá e saquetas de rehidratação. 

Desde setembro perdeu quase 30 quilos.

Alaa Abd-El Fattah é um conhecido bloguista e opositor político que foi detido em setembro de 2019 depois de ter partilhado um texto sobre a tortura nas prisões egípcias e condenado a cinco anos de prisão por "difusão de informações falsas" em 2021.

O ativista de 43 anos obteve a nacionalidade britânica em 2022, enquanto estava na prisão, através da sua mãe, que nasceu no Reino Unido, onde vive parte da família incluindo um filho adolescente.

Além de reivindicar que foi vítima de uma injustiça, a família defende que Alaa Abd-El Fattah deve ser libertado pois já passaram cinco anos desde que foi preso. 

No entanto, as autoridades egípcias argumentam que o tempo da sentença só começou a ser contado após o final do julgamento.

Apesar de garantias de que estavam a ser feitos esforços diplomáticos, durante semanas, Laila Soueif deslocou-se diretamente a Downing Street, local da residência e escritório do primeiro-ministro britânico, para "aguardar notícias". 

Keir Starmer recebeu-a em 14 de fevereiro e comprometeu-se pessoalmente a garantir a libertação do egípcio-britânico.

"Depois de me ter encontrado com Laila Soueif esta semana, a minha mensagem é clara. Farei tudo o que estiver ao meu alcance para garantir a libertação do seu filho Alaa Abd el-Fattah e para o reunir com sua família. Continuaremos a apresentar o seu caso aos mais altos níveis do governo egípcio e a fazer pressão para que seja libertado", escreveu na rede social X após o encontro.

Laila Soueif suspendeu as visitas diárias a Downing Street, mas não a greve de fome, que a família acredita ser das mais longas de que há registo. 

Em declarações hoje à BBC, a filha Sanaa Seif disse que a mãe continua consciente e que recusa o tratamento de glucose, apesar dos esforços para convencê-la. 

"É injusto que ela tenha de fazer isto. Mas não quero que ela morra", disse. 

Ao mesmo tempo, admitiu "respeito pelo que ela está a fazer". 

"Uma parte de mim acredita que, como mãe, talvez o instinto dela esteja certo e ela vai triunfar e vai conseguir reunir-nos todos", confiou.  

Leia Também: Hamas e mediadores seguem atraso na libertação de prisioneiros

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