ONG denuncia violações reiteradas dos direitos humanos na Venezuela

A ONG Programa Venezuelano de Educação e Ação em Direitos Humanos (PROVEA) denunciou hoje que 36 anos após a explosão social com violentos protestos e pilhagens conhecida como El Caracazo  persistem "as violações dos direitos humanos" na Venezuela.

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© Jesus Vargas/Getty Images

Lusa
28/02/2025 06:19 ‧ há 10 horas por Lusa

Mundo

Venezuela

"Passaram 36 anos desde 'El Caracazo', uma explosão social que deixou centenas de mortos, dezenas de feridos e vítimas da repressão do Estado venezuelano. Trinta e seis anos depois, o terror das violações dos direitos humanos continua na Venezuela. Impunidade no passado e no presente.", denuncia a PROVEA na sua conta da X.

 

Entre 27 de fevereiro e 8 de março de 1989, ocorreu, em várias cidades da Venezuela, o El Caracazo, uma série de violentos protestos, acompanhados por pilhagens de supermercados (alguns deles de portugueses), talhos e lojas de eletrodomésticos.

Os protestos surgiram em resposta a um pacote de medidas económicas anunciadas pelo então presidente Carlos Andrés Pérez, que incluíam um aumento nos preços da gasolina e do transporte urbano de passageiros.  

As garantias constitucionais foram suspensas e dados oficiais dão conta de 276 mortos, um número que as ONG dizem estar aquém da realidade.

Hoje, a efeméride foi recordada por vários políticos da Venezuela, entre eles o ex-candidato presidencial opositor Henrique Capriles Radonski, que diz que os venezuelanos estão hoje pior.

"Passaram 36 anos desde 'El Caracazo', uns dias que marcaram a nossa história. Vale a pena recordar que, atualmente, as condições de vida dos venezuelanos são muito mais críticas do que em 1989. Em 1989, 1 dólar valia 35,50 bolívares. Hoje, esse valor seria de 8 trilhões e 200 bilhões, tendo em conta as 3 reconversões monetárias", expressou na X.

Na mesma mensagem Henrique Capriles Radonski exemplifica que "há 36 anos, o salário mínimo era de 105 dólares, com os quais era possível comprar pelo menos 70% do cabaz alimentar básico e serviços".

"E falava-se em CRISE! Hoje, o salário mínimo e as pensões, que são de 2,02 dólares por mês, não dão para pagar mais que 1kg de farinha para o cabaz alimentar básico, incluindo 'bónus' excluidores que alguns recebem", afirma.

O opositor diz ainda que há muitas razões para continuar a lutar pela Venezuela e que tudo o que for feito tem de ter o objetivo de recuperar a democracia e a melhoria das condições de vida de todos os venezuelanos.

Leia Também: Opositora venezuelana Maria Corina denuncia tentativa de invasão de casa

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