Nuno Melo comentou, esta terça-feira, a situação internacional, numa altura em Washington e Kyiv se preparam para fechar 'acordos', nomeadamente, já na sexta-feira, já que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, vai reunir-se com o homólogo norte-americano, Donald Trump, no final da semana.
No âmbito da rubrica do painel com Nuno Rogeiro, o ministro da Defesa marcou presença na SIC Notícias, onde foi questionado sobre se Portugal teria capacidade de enviar militares sem o 'chapéu' da NATO para a Ucrânia. Sublinhando a presença militar portuguesa "um pouco por todo o mundo", Nuno Melo disse: "Pela consideração daqueles que são beneficiários do esforço dos três ramos das Forças Armadas Portuguesas - essa é a melhor garantia de que Portugal está preparado para muita coisa. Se Portugal o vai fazer, é outra conversa, nesse contexto que me colocou."
Sobre o estado do sistema de defesa em Portugal, nomeadamente relativamente a recursos, Nuno Melo disse que há dez meses, altura em que o Governo tomou posse, o país estava "mal". "Dez meses depois, posso dizer que estamos um pedaço melhor. Havendo ainda muito por fazer", acrescentou.
Com o Partido Socialista 'na mira', Nuno Melo disse que as Forças Armadas não foram uma prioridade para o poder político nos últimos anos. "Em dez meses fez-se o que não foi feito em oito anos", atirou, justificando que era preciso dignificar as Forças Armadas, e que este Executivo estava a aumentar os salários, suplementos, a criar mecanismos de apoio em caso de incapacidade ou morte, assim como uma "atenção particular aos antigos combatentes".
EUA: Aliados ou não? "Não temos de ter estados de alma"
O titular da pasta da Defesa foi ainda questionado sobre as declarações feitas pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que se referiu aos EUA como "aliados ou antigos aliados norte-americanos" e que apontava que "nunca se percebe bem, com esta nova administração". "Acho que os Estados Unidos são um aliado fundamental. De resto, não confundo um país absolutamente extraordinário ao qual devemos estar muito gratos, como os Estados Unidos, com uma qualquer administração que só pode ser relevada pela casuística. Hoje é uma, amanhã é outra. A NATO tem um parceiro fundamental, que são os Estados Unidos", afirmou, sublinhando a importância desta grande potência, a "primeira à escala global."
Sobre se não se sente destratado por este aliado, Nuno Melo atirou: "Não temos de ter estados de alma quando falamos de coisas tão sérias. Temos de potenciar o pilar europeu e desse ponto de vista, da NATO, investir mais - porque temos investido muito pouco nos últimos anos."
Reforçando a importância dos Estados Unidos na Aliança, Melo apontou que a NATO se deve desejar "política e operacionalmente forte" e que para isso era preciso que esta grande potência se mantivesse. "E para lá termos os Estados Unidos temos que, digamos, tratar os EUA como aliados - independentemente das suas variantes conjunturais - e não como adversários", atirou.
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