Reagindo a uma interpelação à mesa feita pelo deputado municipal, questionando a razão por que a sua moção não foi discutida no período antes da ordem do dia, Albino Almeida revelou que "a conferência de líderes ocorrida na quinta-feira deliberou que não podia ser discutida" no período proposto por Jorge Pereira.
Albino Almeida repetiu, na resposta ao deputado municipal, o que havia dito na véspera à Lusa, explicando que o pedido para incluir na ordem do dia a referida moção devia ter sido apresentado "até cinco dias antes" da reunião plenária em causa.
O único deputado municipal eleito pelo Chega, Jorge Pereira pretendia censurar o executivo liderado pelo socialista Eduardo Vítor Rodrigues pela "acumulação de situações que prejudicam gravemente a reputação e governabilidade do concelho" e pela "gravidade e o volume dos acontecimentos que têm vindo a público" a envolverem o autarca e alguns dos seus ex e atuais vereadores, que, defende, "tornam inadiável" a apresentação daquele instrumento na Assembleia Municipal agendada para hoje.
Perante a argumentação do presidente da Assembleia Municipal, Jorge Pereira quis apelar ao plenário para decidir sobre a discussão e votação, hoje, da moção, o que foi recusado por Albino Almeida, que convidou o deputado a apresentar a moção "dentro dos prazos e a tempo de ser considerada em reunião da conferência de líderes" antes da próxima assembleia municipal.
A terminar a acesa troca de palavras, que se estendeu por largos minutos, o deputado municipal garantiu que o "assunto não esta encerrado".
O presidente da Câmara Municipal e principal visado pela moção, Eduardo Vítor Rodrigues, não esteve presente.
No texto o Chega considera que "a gestão autárquica de Vila Nova de Gaia atravessa um dos períodos mais negros da sua história democrática" e que o atual executivo está "profundamente manchado por sucessivos escândalos, processos judiciais e condenações que minam, irremediavelmente, a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas do município".
Entre os casos apontados, destaca-se a condenação de Eduardo Vítor Rodrigues "por um crime de peculato de uso", pela "utilização indevida de um veículo municipal para fins pessoais", cuja sentença determinou a perda de mandato e uma multa de 8.400 euros e foi já confirmada pelo Tribunal da Relação.
Segundo o Chega, "a gravidade da situação intensificou-se com a Operação Babel, que expôs um alegado esquema de corrupção e tráfico de influências no município", refere o texto, sendo que o ex-vice-presidente da Câmara, Patrocínio Azevedo, está a ser julgado no âmbito deste processo, juntamente com outros 15 arguidos, por "crimes económicos graves, incluindo corrupção ativa e passiva, prevaricação e branqueamento de capitais",
O "padrão de irregularidades estende-se a outros membros do executivo", salienta o texto, referindo a acusação ao vereador José Guilherme Aguiar no âmbito da operação Tutti Frutti por aquele "alegadamente ter 'mercadejado' o seu cargo para favorecer interesses privados em contratos-programa relacionados com empreitadas em complexos desportivos do concelho, em troca de apoio político e financeiro".
Entre outros momentos, o Chega salienta ainda a "recente declaração do presidente da Câmara na tentativa de descredibilizar o sistema judicial, lançando suspeitas sobre magistrados do Ministério Público, numa clara manobra de diversão que visa desviar a atenção dos factos concretos que o implicam".
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