Em comunicado hoje divulgado, o SNQTB disse que "tomou conhecimento que, nos últimos dias, o EuroBic se encontra a contactar diversos trabalhadores, em várias zonas do país, confrontando-os com propostas de cessação de contrato de trabalho mediante o pagamento de uma indemnização".
O sindicato diz que este processo contraria o que o Abanca lhe disse em 16 de janeiro, pois então o que foi dito é que até novembro de 2025 haveria a uniformização dos sistemas informáticos de EuroBic e Abanca e que a "integração a nível de recursos humanos" apenas "se iniciaria uma vez concluída a essa integração, não sendo previstas alterações do quadro de pessoal até então".
Para já, acrescenta o SNQTB que já pediu "informações urgentes" ao banco e aconselha os trabalhadores a não assinarem qualquer documento sem apoio jurídico, designadamente do sindicato para os sindicalizados.
A Lusa contactou hoje de manhã o Abanca sobre este tema, mas até ao momento não obteve resposta.
Em 28 de janeiro, a Lusa questionou o Abanca sobre eventual redução de trabalhadores em Portugal depois de ter concretizado em 2024 a compra o português EuroBic.
"Não está planeado", afirmou fonte oficial no dia em que o grupo espanhol Abanca apresentou em Santiago de Compostela (Galiza, em Espanha) as contas de 2024.
No ano passado, o grupo bancário teve lucros recorde de 1.203 milhões de euros. Desses, 350 milhões de euros vieram da operação do Eurobic.
Sobre quantos trabalhadores tinha o grupo Abanca em Portugal no final de 2024, não foi possível obter resposta.
Segundo dados da Associação Portuguesa de Bancos (APB), em junho de 2024, o EuroBic tinha 1.430 trabalhadores e o Abanca tinha 401 funcionários.
O EuroBic era detido pela empresária angolana Isabel dos Santos (filha do ex-presidente de Angola José Eduardo dos Santos), mas em 2020, na sequência da investigação jornalística 'Luanda Leaks', foi anunciado que Isabel dos Santos iria abandonar a estrutura acionista do EuroBic para "salvaguardar a confiança na instituição".
O tema da propriedade do EuroBic passou então a preocupar as autoridades bancárias e desde então o Abanca andou em negociações para comprar o banco de origem angolana, mas o acordo só aconteceu em 2023, tendo a compra sido concretizada em julho passado. Hoje, novamente questionado, o grupo não indicou o valor do negócio justificando confidencialidade.
Na sequência desta aquisição, o Abanca decidiu fechar a sucursal em Portugal e passar a integrar todo o negócio da sucursal portuguesa (todos os ativos e passivos) no agora designado EuroBic Abanca. Assim, o grupo irá deixar de operar através de uma subsidiária e passará a operar em Portugal através de um banco autónomo.
Para já, enquanto decorre essa integração, o banco designa-se EuroBic Abanca, mas esta é uma marca transitória. Quando a integração estiver completa (o que deverá ocorrer até final deste ano) passará a designar-se apenas Abanca.
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