À chegada à Procuradoria, Georgescu recusou-se a responder às perguntas dos jornalistas, mas a sua equipa relatou a ação da polícia nas redes sociais, garantindo ter ocorrido quando o político planeava apresentar uma nova candidatura à presidência.
"Georgescu ia apresentar a sua nova candidatura à presidência (...) Há cerca de 30 minutos, o sistema parou-o no trânsito e ele foi detido para ser interrogado na Procuradoria-Geral! Onde está a democracia, onde estão os parceiros que devem defender a democracia?", escreveu a equipa no Facebook.
Citando fontes anónimas, o diário Digi24 avançou que Georgescu estava a ser interrogado como suspeito no âmbito de uma ampla investigação sobre alegadas irregularidades na sua candidatura.
Algumas horas antes, o Ministério Público tinha informado sobre 47 buscas domiciliárias realizadas esta manhã nos distritos de Sibiu, Mure?, Timi?, Ilfov e Cluj.
Nesta operação "27 pessoas singulares e quatro escritórios de pessoas coletivas foram visados" por suspeita de vários crimes, incluindo "ações contra a ordem constitucional", "instigação pública", "iniciar ou constituir uma organização de caráter fascista, racista ou xenófobo" ou "falsas declarações sobre as fontes de financiamento da campanha eleitoral", detalhou a mesma fonte.
Segundo a imprensa local, os investigados pertencem ao círculo de Georgescu, que se referiu às ações do Ministério Público, através de uma breve declaração, como um sistema "comunista", que acusa de tentar "fabricar provas para justificar o roubo das eleições".
"O sistema comunista-bolchevique continua os seus abusos atrozes! Hoje, às 06:00 da manhã, voltaram a fazer rusgas em dezenas de locais, invadindo dezenas de famílias (...) Estão a tentar inventar provas para justificar o roubo das eleições e fazer tudo para bloquear uma nova candidatura presidencial minha", escreveu na rede social no Facebook.
Após a notícia da sua detenção, o líder do partido ultranacionalista AUR, George Simion, deslocou-se ao gabinete do procurador com vários deputados para manifestar o seu apoio a Georgescu.
"Não é normal impedir o senhor Georgescu de se apresentar como candidato. É um abuso do Estado totalitário. Estamos aqui com todos os deputados da AUR, viemos para supervisionar e observar que nenhuma lei seja violada e que nenhum homem inocente seja detido e depois preso", disse Simion à imprensa em frente à Procuradoria.
Depois de anulada a primeira volta, um novo ato eleitoral deverá decorrer em maio.
O Tribunal Constitucional anulou as eleições a 06 de dezembro, 48 horas antes da segunda volta, para a qual Georgescu era favorito, por suspeita de interferência de um "agente de um Estado estrangeiro", em referência à Rússia, e de irregularidades no financiamento da campanha.
O candidato de extrema-direita liderava inesperadamente as sondagens com mais de 20% dos votos, ao fazer campanha sobretudo na plataforma TikTok.
Posteriormente, as autoridades romenas desclassificaram relatórios do serviço de informações que relatavam "manipulação observada no TikTok e o uso secreto de influenciadores para fins de propaganda eleitoral".
A Comissão Europeia anunciou, em meados de dezembro, a abertura de um inquérito contra a rede social suspeita de ter falhado nas suas obrigações.
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