O Governo nunca apoiou este evento, declarou à imprensa Gergely Gulyas, chefe de gabinete do primeiro-ministro Viktor Orban.
Mas "a margem de manobra não era suficientemente ampla" para uma proibição até ao regresso do Presidente dos EUA, Donald Trump, à Casa Branca, acrescentou.
"Acreditamos que a Marcha do Orgulho no centro da cidade, agora que o embaixador americano já não a pode liderar, não deve ser tolerada pelo país", adiantou o chefe de gabinete.
O antigo embaixador dos EUA na Hungria, David Pressman, era um crítico constante do governo de Orban e participava regularmente na Marcha do Orgulho, juntamente com outros diplomatas estrangeiros. David Pressman demitiu-se no mês passado, antes da tomada de posse da administração Trump.
No sábado, Viktor Orban deu a entender que iria proibir a marcha durante o seu discurso anual sobre o estado da nação.
Referindo-se a este discurso, Gulyas explicou que "decorre diretamente deste facto que não haverá mais Orgulho no futuro, na forma pública em que conhecemos o Orgulho nas últimas décadas".
O governo vai introduzir uma alteração constitucional que dará prioridade às necessidades de proteção das crianças e, nessa base, o formato atual da Marcha do Orgulho poderá ser proibido, afirmou.
O governo restringiu os direitos das pessoas LGBTQ+ nos últimos anos para "proteger as crianças", mas o desfile continua a atrair milhares de pessoas.
Os organizadores da Marcha do Orgulho afirmaram que continuam a preparar ativamente a 30ª edição do Orgulho de Budapeste, agendada para 28 de junho.
Numa declaração emitida no sábado, condenaram a politização do assunto numa altura em que a população enfrenta problemas como o custo de vida.
"A tarefa do governo não deve ser restringir ainda mais as liberdades fundamentais do povo húngaro, mas sim encontrar soluções reais", diz o comunicado.
Desde 2019, a Constituição húngara estipula que o casamento só é possível entre um homem e uma mulher, e que a mãe é uma mulher e o pai um homem.
A lei impede os casais do mesmo sexo de adotarem crianças e as pessoas transgénero de alterarem o seu nome ou género nos documentos oficiais.
Em 2021, uma lei que proíbe a "promoção e exibição" da homossexualidade a menores provocou críticas generalizadas pelo facto de o texto associar a homossexualidade à pedofilia.
Esta lei, criticada pela União Europeia, obriga a esconder os livros que tratam de temas LGBTQ+ e as livrarias recalcitrantes foram multadas.
Nos Estados Unidos, o Presidente Donald Trump tem avançado com várias medidas que incluem restrições aos direitos das pessoas transgénero e cortes nos programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI).
Essas medidas têm sido acompanhadas por várias empresas, mas algumas como a Apple e a Costco votaram contra o desmantelamento dessas políticas nas respetivas empresas.
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