"Tortura" e "fome". Foram as duas palavras usadas por Sharon Sharabi para descrever os 490 dias de cativeiro do irmão Eli Sharabi que foi feito refém pelo Hamas no dia 7 de outubro de 2023.
Numa entrevista dada à Sky News, Sharon Sharabi relatou o que o irmão passou em Gaza, desde ter sido torturado a quase não ver a luz do dia.
"Desde o primeiro dia que o Eli foi mantido sob condições extremamente difíceis, dezenas de metros abaixo do solo, e os raptores trataram-no de forma muito humilhante e ameaçadora", começou por dizer à estação televisiva britânica.
Eli Sharabi foi libertado no dia 8 de fevereiro, juntamente com mais dois reféns, que chamaram à atenção por estarem gravemente subnutridos.
O irmão do agora ex-refém contou que não assistiu à libertação de Eli, mas quando se encontrou com ele no hospital quase não o reconheceu.
"O Eli está esfomeado de maneira extrema. Ele foi humilhado, espancado. Ele não recebeu o mínimo de condições para viver. As coisas mais básicas que uma pessoa precisa para ter saúde, como respirar ar limpo, beber água potável", disse.
E acrescentou: "Ele foi mantido em condições muito difíceis, que incluíram fome extrema, tortura, humilhações, durante 16 meses nos túneis do Hamas. Acho que a sua aparência diz tudo".
Durante os meses todos de cativeiro, Eli Sharabi nunca soube que a sua esposa e as duas filhas tinham sido mortas no 7 de outubro.
No dia da sua libertação, em cima do palco, afirmou estar ansioso por reencontrá-las. Só quando foi entregue a Israel descobriu que as três estavam mortas.
"Só quando estava seguro em Israel, é que o Eli recebeu a notícia e lhe foi dito que a nossa mãe e a nossa irmã mais velha estavam à sua espera", explicou Sharon, acrescentando que a família procurou um especialista para que os ajudassem a dar a notícia e que Eli ficou destroçado.
Sharon Sharabi adiantou ainda que o dia da libertação do irmão teve um 'sabor agridoce', uma vez que, além de Eli, foi também sequestrado o irmão Yossi.
De acordo com o Hamas, Yossi foi morto num ataque aéreo israelita. A família tem tentado trazer o corpo de volta para que seja enterrado devidamente.
"Estamos nesta luta há 16 meses e penso que todos merecem, no mínimo, serem trazidos de volta para que possam descansar em paz", salientou Sharon.
"Assim como lutei pelo Eli, vou lutar pelo Yossi e por todos os reféns, até ao último, para que depois possa processar o que aconteceu connosco e, especialmente, para depois tentar voltar à minha vida normal. A vida que tinha antes do dia 7 de outubro de 2023", referiu Sharon à Sky News.
Note-se que a primeira fase do acordo de tréguas entre o Hamas e Israel está em vigor desde o dia 19 de janeiro e vai terminar no sábado, 1 de março.
Na quinta-feira, vão ser entregues mais quatro corpos de reféns mantidos em Gaza em troca de mais de 600 palestinianos.
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