Uma ida ao cinema é sinónimo de anúncios antes do início do filme, o que permite aos amantes da sétima arte irem para a fila das pipocas com calma e sem medo de perderem o arranque de um filme em exibição.
No entanto, um residente na Índia não ficou muito feliz com a espera, após ter comprado um bilhete para o filme de guerra 'Sam Bahadur', e decidiu levar o assunto para tribunal - e ganhou, noticia o The Guardian.
Abhishek MR, de 30 anos, residente em Bangalore, tinha combinado uma ida ao cinema com amigos, em dezembro de 2023, mas apesar do bilhete que comprou indicar que a sessão teria início às 16h05, teve de ficar 25 minutos a assistir a anúncios de próximos filmes em exibição assim como de produtos comerciais, tais como utensílios domésticos, telemóveis e carros antes de ser, finalmente, exibido o filme que queria realmente ver.
O homem ficou furioso com a demora, acima de tudo porque tinha planeado regressar ao trabalho assim que terminasse o filme, e considerou que os minutos de anúncios foram uma interrupção que saiu cara na sua vida.
Abhishek MR avançou com uma ação judicial contra a PVR Inox, a maior rede multiplex de cinema na Índia onde é revelado que: "O queixoso não pôde comparecer a outros compromissos e marcações agendadas para o dia e enfrentou perdas que não podem ser calculadas em termos monetários como compensação", cita o The Guardian.
O processo acusa ainda a rede de cinemas de priorizar receita publicitária em detrimento dos seus clientes e de forçá-los a assistir aos anúncios contra a sua vontade.
Em fevereiro deste ano, o tribunal do consumidor considerou que "tempo é considerado dinheiro" e mostrou-se bastante solidário para com Abhishek MR. Na sequência dessa decisão, o cinema foi condenado a pagar cerca de 540 euros ao queixoso por tê-lo feito perder tempo assim como 54 euros por consequências psicológicas e ainda para pagar as despesas legais.
"Na nova era, o tempo é considerado dinheiro, o tempo de cada um é muito precioso", afirmou o tribunal. "25 a 30 minutos é um tempo considerável para ficar parado no cinema a assistir a anúncios desnecessários. Pessoas com agendas apertadas não têm tempo a perder", acrescentou.
Por sua vez, o cinema tentou defender-se argumentando que era legalmente obrigado a mostrar anúncios. No entanto, em tribunal ficou constatado que a maioria dos anúncios exibidos antes do filme eram comerciais.
Na Índia, o cinema é visto como um meio altamente eficaz para a publicidade, com a sua participação no setor cada vez mais alta, e são exibidos anúncios antes do filme e durante um intervalo de cerca de 15 minutos no meio do mesmo.
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