Governo acusa PCP de não se conseguir adaptar a "novas dinâmicas sociais"

O ministro dos Assuntos Parlamentares acusou hoje o PCP de estar cristalizado e de não se conseguir adaptar às "novas dinâmicas sociais", depois de o secretário-geral comunista ter acusado o Governo de vassalagem aos grupos económicos.

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Lusa
26/02/2025 16:08 ‧ há 3 horas por Lusa

Política

Pedro Duarte

Na abertura de uma interpelação ao Governo, agendada pelo PCP, sobre política geral, "centrada na degradação da situação social do país em consequência da política de direita", Pedro Duarte, salientou que o PCP "é um partido originário" da democracia portuguesa e, por isso mesmo, "credor do respeito cívico".

 

"Contudo, não deixa de ser impressionante como este partido manifesta uma absurda incapacidade de adaptação às novas dinâmicas sociais e comunitárias, permanecendo cristalizado em torno de conceitos e preconceitos datados que, tendo respaldo nos livros de História, passam ao lado da vida das pessoas neste século XXI", acusou.

Para o governante, "uma sociedade dividida entre uns e outros, entre 'nós e eles', numa alegada luta entre classes, só tem hoje adesão nos meios extremistas e populistas, seja à esquerda, seja à direita".

Pedro Duarte defendeu que esse "paradigma, próprio dos populistas e extremistas, visa cavar barricadas, um fosso que instiga o ódio, a revolta e o protesto numa caça ao voto oportunista".

"Reconheço que, ao contrário de outros, o PCP não recorre à desinformação e à leveza irresponsável da insinuação capciosa, mas isso não o isenta de uma atitude divisória que não contribui para a construção de uma sociedade mais coesa e mais justa", afirmou.

Depois, o ministro elencou um conjunto de medidas - como o IRS Jovem, o aumento do complemento solidário para idosos, a isenção de IMT e de imposto de selo ou os acordos assinados com várias classes profissionais - para perguntar ao PCP se as considera de esquerda ou de direita.

"No Governo, não precisamos de saber a resposta e, para nós, é irrelevante. O Governo está hoje no centro político, na medida em que coloca cada um dos portugueses, e cada uma das portuguesas, no centro das suas prioridades e da sua agenda política", referiu.

Antes de Pedro Duarte, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, tinha acusado o Governo de estar "ao serviço de uma minoria" e abordou as declarações do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que, no debate sobre a moção de censura na passada sexta-feira, disse que o país precisa de "liderança com coragem".

"Senhor ministro, pedia-lhe que informasse o senhor primeiro-ministro que governar para os poderosos não é um ato de coragem, é isso, sim, uma demonstração de vassalagem e submissão aos interesses dos grupos económicos, às multinacionais e às imposições da União Europeia (UE)", acusou.

Raimundo contrapôs os "32 milhões de euros de lucros por dia" que disse estarem a ser arrecadados por 19 grupos económicos com os cerca de "quatro milhões e 800 mil assalariados" que não conseguem "levar mil euros de salário para casa".

"Aos trabalhadores, o Governo pede para esperar por melhores dias... Pois, que esperem os grupos económicos, que esperem as multinacionais, que espere a banca, Bruxelas e a sua corrida aos armamentos", disse, enumerando o aumento de preços em vários setores, como na alimentação, gás ou habitação, para salientar que está "a apertar ainda mais os mais apertados".

O secretário-geral do PCP acusou o Governo de estar a desmantelar o Serviço Nacional de Saúde (SNS), com "milionárias transferências de recursos públicos para os grupos económicos", e de apostar na especulação imobiliária numa altura em que "milhares de pessoas enfrentam rendas que não se aguentam, prestações aos bancos que levam os salários".

"A cereja no topo do bolo são as alterações à lei dos solos. Os compromissos têm de ser mesmo muito grandes para que, mesmo com tudo o que já envolveu e está a envolver, haja ainda uma maioria significativa disponível para insistir nesta lei", criticou, antes de perguntar se o Governo vai começar "a governar a favor da maioria e das pessoas".

Leia Também: PCP confronta hoje Governo na AR sobre "degradação da situação social"

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